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MOSQUITOS MORIBUNDOS AO MAR

Que eu seja miniatura e posto seja em folha orvalhada que voeje ao vento no tempo e que eu seja levado para o mar doce de além do sonho aquele meteoro encostado na alma só Que insetos mosquitos moribundos me guardem até o mar e ao chegar se atirem nas espumas brancas como o lençol da escuridão Que eu seja lido como uma ferida por um menino verde como eu fui com vida eterna e tudo

JÁ FEITO

O poema já foi feito com cordames secos o navio calafetado de medos as velas robustas se rasgam as sereias se despenteiam Ligando a TV veio o azul a conta não foi paga tempo demais no banheiro pilulas para acelerar o metabolismo O mar resta encapelado as espumas com seu bafo de conchas o espelho rezando aos dentes o poema já foi desfeito O vizinho trancado na brisa as chaves no palácio o tempo está moderado o cachorro liberto em fuga a sede o fará voltar em miniatura

CHEIRO DE FEBRE E UIVO

A face de mim que te espreme A partir da noite De uva de dentro de tua pele A face de mim que se expande A face de mim que te trai com o luar E a que tem força de mangue A face de mim tua carne A face de mim teu gozo Na face da face da face A face que a morte deslancha Sabedora amarga de tudo O cheiro que fica de tua febre e uivo Uso mortal pra asfaltar desejos

BELEZA DE RIO

o rio que passa pela minha ideia nenhum é igual se fosse igual não sairia um poema fenomenal que sai por aí volta e meia fazendo festa rezando oração desconexa com ar de maluco beleza se cavalgando

QUESTÃO

Não sou tão bom escritor quanto gostaria se tivesse tempo de ser a mim mesmo verossímil de alma pequena como um empenho de vaidade fora de hora se houvesse a possibilidade de um ser estar fora de uma hora qualquer mas como cada um de nós está dentro de uma hora e suas subdivisões não tenho sequer tempo de avaliar-me