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ZÉ PEQUENO NÃO, MEU NOME É ZEUS

Um pouco ao longe, Leda Toma o suco da Jurema, Pós flutuam nas veredas Lá pros lados de Itapema. Soam de guitarra acordes, Pegas a moto possante E a teu ventre encolhes Com muita fita isolante. Em velocidade insana, Espalhas lama aos passantes E aos bravos dás  bananas. Passas motéis n um instante, Raptas Leda, pois grana Há pra gozos incessantes.

Dentes de Iceberg

Sonhei.... O casco era frágil ante o iceberg imprevisto Sem o sabermos. Os brindes que fizemos sobre a mesa Não previram os rangentes dentes do iceberg. Minha alma ficou no fundo como um sorvete inchado. As gavetas com corais - beliches de peixes. O amor gelou com línguas verdes de musgo. Só eu ouço sereias com casacos de pele. Pena...

NÃO SEI SE O SACI ERA CUCA

Falar-te-ia coisas dos mitos se estivesses disposta a me ouvir. Falar-te-ia dos que saíram  Pra passear no Olimpo. De Atena, José, João, Epimeteu, Prometeu, Saci, Hera, Cuca. Não sei se o saci era Cuca e fazia michê. Sei dos mitos que Foram destronados. Sim, os mitos que eram principais. Hoje, estão no cais. Bagrinhos todos os titãs. Suas esposas são mortais. Têm alguns pesos nas costas. Um tem dezessete cicatrizes. Outro foi preso vinte vezes. Até criou varizes. Aqueloutro se virava na noite E pegava garotos de fre(n)te. Aquelas deusas no entanto São bastante aguerridas E gostam de lutar por direitos Que antes desprezavam Em nome da cultura de Atlântida. Falar-te-ia mas os valores prendem Fígado e águias e garças tristes A poemas inviáveis para leitores De almas analfabetas de afeto.

PRETENSÃO POR FLORBELA ESPANCA

Meus olhos nadando ante as pétalas Florbelas-de-Eternos-Jardins. Vejo-a no início da semana antiga, alma viçosa, lutando, combatendo, num trabalho de 8 horas. Revejo-a no café, cabelos sujos do pó da cidade arcaica. Escreve num papel, na mesa, num pano, coisas de mágoa. Arrisca. Faz luas com asas de sol, início e fim. Tem os olhos tão vivos. Tão. A vida sempre é nova e velha quando aparece de rosto triste, no livro puído, em cismares . Foi punida com a dor incerta e eu com dez/crenças certas. Nos desencontramos. Eis que vaga um fado e ela me olha de longe, atravessando o tempo, chorando um desencontro irremediável.

MARCA PESSOAL

Um poeta persegue sua marca pessoal como um cão. Vai assim buscando o próprio rabo. Eu nasci curto. Corro mais difícil. Por vezes, revolvo sobre mim. Por vezes, sou asséptico. Por vezes, sou cético, ético, moral. Mas sempre acredito, ao final, Que alcançarei o mistério.... Do que mesmo?