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DENTRO NA VIDRAÇA

Dentro de mim A alma De nariz grudado Na vidraça. Minhas horas são solitárias. Pugilista do êxtase que dá o nada. Mistério na vida e na morte. Multiuniversos no tudo esburacado. Uma caminhonete devagar. Em atropelo. Um cachorro gastando cinquenta reais. Um pneu, uma câmara, um pedal, só. Um cachorro vale mais que um homem. A caminhonete bate e vira flor de ar.

BATE PRO GOL

A brecha da mente nunca se abre. Botinas de biqueira de aço nela. Expelir a raiva inexplicável. Quebro a cabeça Tentando entender o jogo Do Pequeno contra o Grande, Jogam desde o Paleolítico Seus palitinhos, Impelidos por quereres. Serei pequeníssimo Ou um grandessíssimo p.f.d.p.? As notícias estão sendo veiculadas. Simpsons: 2 pra Alemanha. Em tudo, há um orgulho. Orgulho de ser humano, Ter manha. Tamanho. Lei da vantagem. Vendagem. A tropa se vende Para os elípticos etílicos. Além. Quem tem sonhos? - Eu. Quem está empenhado Em ser feliz sem olhar pro lado? Bate pro gol.  E se bater na treva ou na trave? O escritor olha a lua como uma bola fora do campo ou com colarinho alegre de chopp selênico. Claro, se terminar bem, valeu. A vida está besta. Cesto de lixo pra receita de verso. Diverso penso meus luares.

VOU SER SEU AMIGO

O escritor ridente. Ri pra si mesmo. Fuça no próprio pasmo. Tomou um remédio. E vai mijando ele durante todo o dia. Vanitas. Vanitas. Registra a si mesmo Eloquentemente. Loquaz, alma sem dente. Faz citações em latim. Fala palavrão como convém À turma do destempero Contemporizador. Estou pronto a roubar o escritor. Ele é bom. Ele é mau. Senta com os bons. Cospe como os maus. Com os bombons. Vou roubá-lo. Urinou em torno da cadeira. Pediu um chopp. Veio uma cerveja. Marca - Flor-De-Sade. Não, roubar é pouco. Vou aparar suas perninhas curtas. Madeiras em sua mente? lascadas. Versos em caixotes plásticos. Papa concursos por competência. Embora o nojo de concorrer. Não, aparar-lhe as perninhas é pouco. Vou ser seu amigo. E meu.

MÃOS DIGITAIS

Gostaria de agradecer mas desagradeço desde já a vida do jeito que está demasiado quântica com calamidades e coisas que tais sem efeitos nas causas com políticos sem noção do bem e desigual noção do mal gostaria de agradecer os cientistas que inventaram tecnologias que me impedem de pensar diverso mas não tenho tempo aqui de frente deste computador que deu pau ontem e no próximo minuto pode me dar uma paulada e me deixar atordoado sem as mãos de afago da tecnologia, deusa que masturbo mal começa o dia...mentira

PAI CAVALEIRO DA TRISTE FIGURA reelaborado do original em 28 de abril de 2012

Naquele dia, pegou a armadura, vestiu-a, arrastou a besta, a lança, o estandarte, a espada branca e foi à guerra com sua montaria de guerra 67 marca chevromed. Não levara nada no vento além da rouquidão de seu motor para outra conquista dos SR. Costumava erguer seu espírito de aço numa espada forjada em duros tempos quando os primeiros Andantes voavam com seus carros xexelentos. Queria seu filho moldado na guerra pois só entendia o sangue da luta e a bandeira da tribo que estava empoada. Um dia, ele voltou da batalha com dúzias de crânios num colar e viu seu filho com os moinhos de vento. Para o pai, o filho abismecera, e fez-se dele então Juiz-Demônio. Julgando o próprio filho, não percebera o cinzento cão que o consumia. Crucificando o seu rebento, seus pés e mãos sangravam os carvalhos antigos. O pai morreu com febre dormente. Mas o filho guardara de outros tempos um pedaço do aço de alma do próprio pai semeado em cordel de cavalaria onde encontraria a primeira lâmina que usaria ...

CABE A TI

Me puseram na bicicleta. Havia uma ladeira íngreme. Quando me empurraram, voei. Senti o vento solidário sobre o rosto. Senti o bem que me queriam. Quatro costelas quebradas, Doendo menos que a dor do amor Que com suas tempestades Deixa cidades de ego derrubadas. Segunda vez, prestenção: Me puseram na bicicleta. A ladeira mais inclinada. Havia restos pela estrada. Carnes de Guerra, podres, Línguas estendidas, castas Cinzas esculpindagonias. Tive de abrir a mata escura, Envelope nalma de meu pai. Terceira vez: cabe a ti, leitor, Recolocar-me, por favor .

O HOMEM SEM MIOLOS

O homem sem miolos dissimulou mordidas nos campos de seu medo.  Chegou a casa. Comeu o retrato do pão com pasta de fígado e coçou o pescoço sem moldura. A família em quadros antigos testemunhou o desfile das suas batatas no livro de receitas,  enquanto quase sem medo lambeu seu velho revólver caramelado que se desfazia desenhado na toalha da mesa.