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FARINHA DA ALMA

Com as mãos, pega a farinha da alma para a massa da poesia e depois faz uns bolinhos bem compactos para que quando atinjam a nuca da musa principal o resultado seja visível para todos que se atrevam a ver o seu texto nu.

SE TODOS AGIRMOS BEM

Se todos agirmos bem, conseguiremos passar. Depois, haverá a noite com seus acres lagares. Se todos agirmos certo, o outro dia chegará com pessoas e bichos e objetos nanotecnológicos com corretores de Wall Street a apostar na alta do sol

MADURA CRUZ

Atravessar o rubicão de estado são. Depois, a sensação de estar durão o espírito, angustiadas as idéias da musculação na academia do pensar. Uma dor nascente diz que está madura a alegria para a paz mais ao sul das ilhas de estar bem. Sou falho como todos no frigir das cartas. Sou falho como data de validade, como a maçã que feriu o nariz de Newton. Não sou tão bom como pensavam, apto estou para a cruz, muitos são meus crimes de imaginar.

LEMBRAS DO DAS FERIDAS

Você é um mau político. Ou não. É só estender a compaixão, essa a lição. Tua cabeça na bíblia de bandeja. Escaras, velho, tenho de muito aqui ficar esperando a palavra vir fazer xixi. Sim, a alma tem escaras, existem escaras que partem a alma por ausência de palavras, mesmo baratas. Mas não finja que nada aconteceu. Só tu e eu sabemos que baleaste A comunidade. Lembras: o homem das feridas? Passa o padreco, não liga. Passa o levita, nem aí. Um samaritano porém deu ataduras E serviu azeite e vinho às feridas. Não chegou nenhum aqui. Tu és um político? Ou não?

O AMIGO E O POETA MORTO

Uma coincidência entre o grande amigo e o poeta saltador. Quando o amigo salta e fica a dor amara. Foi assim com Léo. Léo Só. Só Léo. Solau para Só Léo. Sim, salta, o amigo salta. É quando a poesia dói Como um pássaro incriado Embora cante seu canto triste Como um sol com estrias de escuro, Como a força irritada De um pé de mandacaru. Como não morreu na memória, A dor corre diluída. Uma dor que toca quando o tempo sopra. Dor de música silente. Que limpa a gente.

DENTRO NA VIDRAÇA

Dentro de mim A alma De nariz grudado Na vidraça. Minhas horas são solitárias. Pugilista do êxtase que dá o nada. Mistério na vida e na morte. Multiuniversos no tudo esburacado. Uma caminhonete devagar. Em atropelo. Um cachorro gastando cinquenta reais. Um pneu, uma câmara, um pedal, só. Um cachorro vale mais que um homem. A caminhonete bate e vira flor de ar.