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2000 ANOS ANTES EM OZ

4 minutos antes eles eram avisados da decretação do corte fatal sobre seus pescoços eram avisados da Portaria que dava poder ao governo 4 minutos antes de pena capital eram avisados pelos mortos de alma avisados por telefone mas como José não havia pago a conta telefônica houve dois cortes

QUEM SE AVEXA COME CRU

Quem se avexa come cru, quem arranha o verbo adoece, na retina estricnina delírios dá e enlouquece. Quem vem da noite amanhece,  tem a sintaxe profunda, pra quem o lê dá uma peste do redigir oriunda. Quem quiser segui-lo um pouco,  fadado ao ranger de dentes estará, em verbo louco. E, insistindo o inocente  No noturno poeta mouco Virará em corvo doente.

DIÁLOGO COM LÉO

Ao fim, a morte veio  Devagar. Talvez Uma poesia  Te encante no ar. Ou aquelas gueixas  De sampa f açam-te  Uma ponte sobre o rio Do ontem Para alguma arcádia  Ou pasárgada pastoril. Ou aquele filho Natimorto em abril Um mito reconstitua Às tuas naus verbais. Ou aquela moça irmã da outra Trance umas asas colossais De Ícaro para ti, a  que voes ao mar Das amenidades jovens. E ainda aquela, aquela, Lembras dela? Que sorria sem verdade,  Sorria feito a morte Na escuridão da tarde, E do quarto, ao corte Do amor-canção... E que algumas poesias Dos amigos, nós, não melhores Que teus versos tristes Sejam ressurrectas por aí.  Quero que tenhas nesse lado (um lado inventado pelo amor), Onde todo pó é alma-estrela, Bastante poesia pra comer. Dizem que os poetas têm Estômago próprio e verbal... Aqui, mil olhos botam espanto Nos poemas que deixaste Por nascer. Tentamos ainda Um desfibrilador de alma Para o ser de tuas ...

FERVURA

O amor é sua própria fervura e um jeito de acenar ao centro que fora se torna ou nunca faz, é como ousar temperos com aumento de gosto de um sempre falaz Você pensa num rosto e ensolara, você abarca reinos, e se afoga bem dentro em si, de um jeito vasto no sol que ao peito explodirá Ficamos sem poder andar, a fritar-nos, a fritá-lo sem saber um fio

AO BEBÊ

Este ano as prestações se acumularam. As frutas da época estão fora. Você bate com a colher no prato. Seus arrotos cheiram a deus com leite. Sua papinha está sendo preparada. Mamãe olha a roupa estendida sob nuvens. Um dia você saberá que o outono amarela as folhas. E marcará na lembrança o ouro disso tudo.

AZEDAS LIMAS NUANÇAM FACES

Quero pomar azedo e à margem. Não só ser o de doces tortas. Azedas limas nuançam faces, Dão exercício a caras mortas. Para tal fim saltar no abismo? Colher do horror rica sintaxe? Ou atrair torpe ostracismo, Me deslocar em paralaxe? É bom o tempo mas escapo A todo adágio ensolarado, Seja este quente ou bom pra sapo. E desafio ao que me acusa O ser desviante, e fim do papo, A flor d'alma é dor difusa.