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Poeminha de Dar Medo

Poeminha de Dar Medo Antes tão manso. Ele o poeta aguado Matou um poema. Usando uma pena antiga. Um poema de dar medo hoje. Que vive puxando seus dedos de noite. O poema quer voltar, o poeta não deixa. O poema causa terror, prega o poeta no teto. Quer voltar, viver, mas o poeta só diz: - Não paga a pena.

Para Atingir o Amor

Não penses que não sou capaz de te assassinar, só por não ter ódio suficiente em meu coração, que arrancaste com as garras de teus olhos. Não deixes passar pela tua cabeça que eu possa ser bom, se tu não foste ao arrancar-me o coração. Quero te assassinar de amor com este ensaio de beijo que flutua entre mim e ti, uma arma perfeita para atingir o sonho de deus ....entre outras coisas.

SER SEM VENTOS

Desataviado, o ser está sem ventos Que o sustentem do insuficiente Ritmo em penumbra do mundo Com seus ossos enjaulados Em carnes de ausência Sem tempestades para o verbo Sem metempsicose Sem averno Sem chopp Sem porções de batata Os miolos do cérebro doendo A fragata do papel datada Ataviada a modelos de escrever mal Sou o sem ventos no nosso circo

MEIAS NOS OLHOS DO AMOR

A febre a trinta e nove graus. Teu corpo entregue. A fome. Não fosse a alma sem blusa. E alguém que disse: Cara, cê tá mal Nem terias notado Apesar das meias nos olhos. E o cais estava calmo. Os navios eram escuros. As ondas balançavam os céus. Os armazéns perfumávamos de amor.

UM ROSTO TÃO ....

Um rosto tão.... Sublime,  dentre outros adjetivos, apesar do caminho  seguido nas linhas do pescoço a partir de sua luta com manhãs Quanto a alguns aspectos importantes, tinha sua face a essência de um sonho, como um astro-luz de concha atávica, imitando uma pérola de olhos casados na escrita da pele do poema azul Com Estilo algum Poeta alcança? Por certo surpreendeu-a no espelho a soprar fórmulas as velhas bolhas no rosto de vidro com marcas alheias

MILHÕES DE ALMAS PARA ALIMENTAR

Milhões de pessoas chegam à cidade. São milhões de almas para enlatar. As máquinas esquentam seus gases. A cidade a mastigar. O povo foge pros barrancos. À espreita, engrenagens antigas de relógio. São dentes n(ânus)tecnológicos. Os cérebros são juntados aos traseiros. Implacável, o anencéfalo garçom sorri. Quer a gorjeta inescapável do desejo vão. A mesa é preparada com tripas de anseios. Para os milhões que chegam à cidade Não há sapatos de concreto suficientes.

O QUE RESTA

O que resta? a dor partiu No nunca-sempre ao ser-outro? O que resta? a povoou Tremores de frágil potro? O que resta? fez do choro Boca mole com arroto. Por aí vozes sobrantes Dão-lhe ar sonso e maroto. Só lhe resta um mito hiante De um poemicida absorto Numa palavra atingida Retalhada em versos soltos.