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SE VIR QUE VENHA

Se o poema vir, que valha um vizir, se o poema vir, que soe ao sair, se o poema vir, que amolde ao mentir, se o poema vir, que se erga ao surgir, se o poema vir, que suba ao cair, se o poema vir, que chore a sorrir, se o poema vir, me ensine a intuir, se o poema vir, zênite nadir aqui e lá, curando, a ferir

SEXOCALIPSE

Anavalhamando, Mãos carnafiadas. Orbitamanchando, carnavalizados. Extraindo rinhas Extralineares. Estuprando planos, Plenos tropeçando. Fusos efusivos Vulvas estalando. Sexocalipse: Nós nos desatando.

PERIGO PARA REALIDADES

Toda uma realidade foi morta  Por excesso de verdade na fúria do mar. Também houve a direção dos ventos e seu desvio. Há o fedor do lixo atômico remexido pela tempestade. Perigo para mais realidades. Há uma pilha de cadáveres no cérebro do oceano. Na tela da televisão há imagens em ansiedade E o mito tem lágrimas de sem-olhos.

Poeminha de Dar Medo

Poeminha de Dar Medo Antes tão manso. Ele o poeta aguado Matou um poema. Usando uma pena antiga. Um poema de dar medo hoje. Que vive puxando seus dedos de noite. O poema quer voltar, o poeta não deixa. O poema causa terror, prega o poeta no teto. Quer voltar, viver, mas o poeta só diz: - Não paga a pena.

Para Atingir o Amor

Não penses que não sou capaz de te assassinar, só por não ter ódio suficiente em meu coração, que arrancaste com as garras de teus olhos. Não deixes passar pela tua cabeça que eu possa ser bom, se tu não foste ao arrancar-me o coração. Quero te assassinar de amor com este ensaio de beijo que flutua entre mim e ti, uma arma perfeita para atingir o sonho de deus ....entre outras coisas.

SER SEM VENTOS

Desataviado, o ser está sem ventos Que o sustentem do insuficiente Ritmo em penumbra do mundo Com seus ossos enjaulados Em carnes de ausência Sem tempestades para o verbo Sem metempsicose Sem averno Sem chopp Sem porções de batata Os miolos do cérebro doendo A fragata do papel datada Ataviada a modelos de escrever mal Sou o sem ventos no nosso circo

MEIAS NOS OLHOS DO AMOR

A febre a trinta e nove graus. Teu corpo entregue. A fome. Não fosse a alma sem blusa. E alguém que disse: Cara, cê tá mal Nem terias notado Apesar das meias nos olhos. E o cais estava calmo. Os navios eram escuros. As ondas balançavam os céus. Os armazéns perfumávamos de amor.