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O SANGUE

Deuses vivos e mortos Vomitam em guerras  Nacionais e Internacionais. Nem ouses vomitar aqui Ó Deus que me fiz! Baratas pedalando no lixo nem me olham nem me acenam nem desdém sequer me dão. O sangue só envergonha Quando temos vergonha.

O TRÁFEGO

O tráfego cruzando com gentes: assim as moscas nos solos e paredes. Um homem como buraco na parede diz que a vida não é um romance. A náusea desaparecerá com a canção se pescarmos seu mar adentro.

A SECURA NA LAGOA

A secura na lagoa de nossos valores. Por isso somos maus à beça. Podereis objetar-nos. Aliás, herdamos no templo As chagas que ainda fedem Dos Inquietos. Rótulo em sangue ferve em nós. Junto às chagas herdadas, Se nos apresentarmos perante vós Aceitareis sem estas chagas? Só nos exibimos por vossa causa, Para bem povoarmos os narizes. Já infectamos todo o vazio. Assim, somos os herdeiros podres Para esta civilização arruinada, Sem nos perceberdes. Somos herdeiros daqueles Que enforcam ventos pescoçudos.

FASTIO AO SOM DO SOL

Quero cobrir o som do sol. Meu senso é cinza agora. Sensível ao cão que morde-nos os miolos. Ao gato satírico que chora em francês. Ao rato de dentro que sofre pauladas. Sou a dúvida quando vou e chego. Louvo ao ausente de modelo e esquema. Ao que chora no canto a busca de si, Pesadelos escorrendo como papinha, Sou sensível, acredite, às certezas, Embora elas fujam todas as manhãs. Tenho até de comprar uns maçaricos para soldá-las no corpo do ar.

MÁGOAS PICAM

Asas de eróticos insetos. No substrato da memória. O que há-de Deitar mais habilidade Ao ser insetívoro? Quem há-de ferver-me Os cubos de mágoas que transbordo?  Mágoas picam. Picam as folhas mais suculentas do ser. Um dia mando às picas as lava-cus da mágoa!

ATÉ QUANDO A MALDIÇÃO DE CAM

O Poder oferta o cálice, Pagará no alto tálamo À Morte da Infância? Sabe-se? Pra onde o perdido gesto Aposto nas ruínas? Que cabeça posta à festa? Onde o esperado regaço? Os argênteos restos Da lua devorados Por neo-ogros banhados Em leite e amargo fel. Até quando A maldição de Cam Do Tio Jacó e de Eretz-Sam sobre Palest?

SE VIR QUE VENHA

Se o poema vir, que valha um vizir, se o poema vir, que soe ao sair, se o poema vir, que amolde ao mentir, se o poema vir, que se erga ao surgir, se o poema vir, que suba ao cair, se o poema vir, que chore a sorrir, se o poema vir, me ensine a intuir, se o poema vir, zênite nadir aqui e lá, curando, a ferir