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LEMBREM

Lembrem de todos, não só de mim cujo fim findará o gordo desejo de sins e o arremedo de sentir-se eterno

A RUA COM SEUS PEIXES

....A rua com seus peixes afiados com suas barbatanas espelhadas canecas em navalha cacos de emoções com algas tombando com sua fome de planctons com sua sede de abraços atirando com sua extensão ilimitada no frio com suas pedras rasgando com seus pneus de arestas fogo nas axilas das esquinas falsos grupos de azuis falsos elogios sob postes falsos jeitos de permanecer na agulha das ilhas a rua e seus becos com seus sinais de escuridão com seus verões elevados com seus sóis de solidão e dor física no mesmo local do cérebro doendo na barriga aberta do papelão mijado

CORTE DOS DIAS

Durma. Acorde. F(aça uma) ode. Refaça. Cão! Sente! Concentre. Varie. Evite. Estimule. Cite. Crie. Trate-se. Tome. Afaste-se. Dome-se. Consiga. Hoje não se come. Prossiga. Mate-se? Não, forte. Adapte-se Ao corte de sempre Dos dias.

PUNIDA IRANIANA

Quem é que entende  a partitura da chibata? São sons abafados,  estalados em dor. Noventa chibatadas  numa iraniana.   Sons musculares. De outra mão que masca a chibata  como a carne a masca. Uma jovem com rios de sangue de proibida navegação.

POEMESPETALAR

A alma, sendo túnel, Encana os ventos Do corpo verbal. Uma alma gripada Motiva o súbito estrondo Que o poema assoa. As distrações do corpo Podem levar a flor da alma A poemespetalar.