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CARNE ALMA DO PINHO

A carne na alma repassada com beijos e cheganças na alma é carne retesada de violões A carne na alma principiada com uivos gritos de amor na alma é carne suspirada de violões São cordas na carne invocadas verdes nos dedos do pinho na alma a carne o vinho dos violões A vida por vezes é feita da carne da morte e do canto a vida inexiste quando a apartamos dos violões de dentro

UMA CANÇÃO Á MÃO

Uma mão  com o segredo do jogo de recriar o verso-istmo Uma junção com o mistério de aguar o desejo da virada do tempo Uma canção em terra com o dom a sina de encantar a morte de baixo pra cima Uma no ar com o infinito e eterno jeito de sorrir corais de vida

Ó. AQUI. NO AUSENTE CORAÇÃO.

A notícia está velha. Mas o coração ainda diz que Velhos, jovens, mulheres, crianças, Tornaram-se borboletas. Não, na verdade, ressequidas num último grito. Nos últimos meses, a contar para trás do Pós - Guerra, Alguém enriqueceu. Alguém perdeu. Alguém foi enterrado sob os olhares da Lei. E as crianças morreram, embora a Lei Sagrada Cuspa em Caronte Ressuscitado a cada tiro. Nós até choramos. Limpávamos os nossos narizes. Hoje, as crianças doem. Desde ontem. Aqui. Ó.

VERDUGO

O verdugo está em cada um de nós. Vive a degolar nossas verdes camadas. Sempre alimenta nosso aquário de morais. Esfarela nossos ingênuos desejos e perguntas. Nas manchetes de dentro, queima nossos espelhos. Como dói o verdugo dentro de tudo!

PEQUENINA E GRANDE

Pequenina  é a morte na espera de sorte que revivo para as escalas de Odisseu urbano para que infinitas vezes repita em ti meu itinerário de auroras e crepúsculos Grande é a morte quando fecho os olhos às sereias antigas e deixo escapar sem música auroras que deslizam em teus braços ansiados   Pequenina é a vida para o que tenho de viver-te Grande é a vida insuficiente para amar-te em toda dimensão eterna de árvore a suar pelas raízes

SOU SER SOM CARNE

Sou som embora não sou enredo embora roto sou tempo de um espaço por esticar de amor na tua derme atemporal Ser pedra sempre dura conceito desfeito na cultura do maleável Sou vento embora desventre o ar com chagas adrede escolhidas no verso por esticar Ser pedra nunca mole frase imersa no por chegar daqui onde gero o amor dentro dos teus seios a forcejar nos mamilos do papel, lençol onde te crio espumas

HABITAR ENTRE OS DEDOS

Habitar entre os dedos dos teus pés ser de ouro embora a areia ser de prata embora as águas ser de fé embora o ceticismo ser por trilhar teus lábios como um sonho pedra de um outro universo onde reinemos com saliva alquímica Habitar entre os átomos explodir o desejo na pele estendida sucumbir ante o espelho de paixão rezar embora a ausência clame além de mim conquanto em ti se presencie com ar de fim o começo de tudo e nada