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PEDRO, PEDRINHA EM DOÇURA

Pedro, pedrinho, criança, Cujo riso estelar Ilumina Juliana, Siderando todo olhar. Cada dia Ju aprende Coisas pequenas que aliam O saber que é vida e acende Ao descobrir-se em magia. Todos na casa esquecem O rugir cotidiano No engatinhar de Pedro Que em Vida vai se esmerando. Uma criança que encanta Sua mãe com esperanças, Uma criança que invoca Mansidões em aliança. Pedro, pedrinho, criança, Cuja lua lume olhar, Cujo alma é feito mel, Noite em doçura e luar.

SOBRE SEMÂNTICA

Um dia, Cervantes, Falando, perdeu a semântica. Nesse dia, ficou em casa, Mexendo na infância de Beatriz. Pensou no inferno do seu limbo. Sua comunidade era no Paraíso. E inventou um R A P lendo o álbum de família .

SURGIMENTO

Um bêbado surgiu arrependido No toque de uma lembrança. Uma cicatriz em cada molécula sua. Cheirava o pó que vem no vento. Pó das narinas de um sol fervente. Uma gárgula fechava os olhos Pra não ver tanta dor num rosto. Só uma estátua apaixonada Vibrava. Destino dela: ouvir. Um bar. Um blues ao clarinete. Perto da praça onde estava. Ritmos da rua com becos na ilharga. Um poeta declama Funeral Blues. Insiste em se perder na memória. Aos ossos suculentos de poemas de W. H. Um bêbado poeta se ouve.

ARTE COMIGO DENTRO

Minha Arte é um ponto Que gera inumeráveis linhas E inesquecíveis rotas. Minha Arte é uma linha Que gera inumeráveis formas E irresgatáveis vindimas. Minha Arte é uma forma Que gera conteúdos infinitos E é. Comigo dentro. Moído. E sou.

MATAR O ESPELHO

Se eu soubesse curvar A foice da morte No pescoço do seu vazio, Se eu soubesse matar o espelho De seu quarto sombrio, De seu lacre ignoto, Se eu soubesse o ritmo do escuro Vale de sua morada, e o alagasse Com mansas águas, Mas não sei nada da morte, Nada de seu vale de escura flora, nem quando queima, nem quando afoga...

RONDA O POEMA

O poema ronda, Mesmo quando em sono, Vem como uma sonda, Fundo, verrumando O poema é fundo, Mesmo à superfície, Fácil na difícil Arte em que persiste Nossa alma abre Como fosse pele, Aderem no espaço Dez dedos à verve O poema solta Fogo e água, dura, Mole massa molda, Rija, quando apura Fala o poema e é mudo, Desnuda e é retalho, Brande arma e escudo Pra internas batalhas