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UM CORPO ÁVIDO

um corpo grávido guarda na ave- útero seu ovo ávido, depois o quebra ao vôo da vida aí o ser invade por carência o espaço do coração do outro - um mundo - e não é demasiado tarde para pintar ou atuar ou musicar o inabalável fluir

ONDE B

Meu bonde não passou. Esperei-o. Mas estava em outro século. Dormindo na memória do tempo. Não o bonde comum. Não o dos quadrinhos. O do filme. A metáfora é maior. Uma casa talvez. Um carrinho talvez. O olhar azul de um céu pra todos. A face lisa da água em todo ser. É isso. Não aquele onde B.

Ir ao Subterrâneo

Ir ao subterrâneo e encontrar cores que rejeitei, aquela máquina enferrujada de fazer churros, aquela namorada que criei sem querer, usando a solidão como sua matéria-prima Lá deixei céus enrolados nos olhos de Maria, podem ficar lá com os gramofones envoltos em desbotados azuis Lá infernos rezam fogaréus imensos pelas bombas que estouram aqui, dentro da gente Preciso encontrar as cores e desmanchá-las em ti, onde as bombas começam