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METEORITO DE MAÇÃS

São escravos? Escravos de coisas bonitinhas e de coisinhas radicais  que aparecem na Glogword. Que vão comprar na esquina coisas pra diverti/ lapidar o dia- mante marchetando frio e duro por dentro o peido dos órgãos Lapidar a dia- mente fervendo sons de mercado distorcidos por fantasias de rebolados onde a inconsciência almoça e janta Julgo: eles apodrecem com vermes na ilharga dos ouvidos retratados nos jornais como anjos procurando infernos pra se salvarem de sua inexistência E os olhos deles esbugalham na espera do fim com suas teses pop de aprender a voar em céus mentirosos de celofane azul enquanto assaltam na cidade onde o medo almoça e janta Dizer para os anjos que eles não existem pois os sons são mortais pode até desviar o meteorito de maçãs

COOPTADOS APENAS

Cooptados, Cooptados com tal desfaçatez Apenas para ganhar E fingir no espelho seus Tons venais a amarelar Mil vezes, Usam a traição Para triunfar, Lagartixas a se melar Na antiética parede Do T ranssub, Abusam das costas alheias, Suas palavras  Na cal fina cravadas, Artistas com ética vendada Comem manos com risos A mancheias, E o trem não passa...

O EGO

O ego o nó seu cego o marinheiro só na pista corre nega artistas diz que é o tal o prego e rega o eu com coca-cola de pneu nos comícios-vícios onde o preço é vil

LEITOR

Ele entrou no livro. E precisa comprar pão. Sua mulher pede. "Amor, vai na padaria." Ele sai do livro entre um substantivo e um verbo. E vai buscar dinheiro para depois comprar pão. Embora tenha tomado cuidado, Sua roupa está suja de acentos e conjunções. Vai comprar pão. Depois, voltará a ler. Todos sempre voltam. Sina de quem entra é não sair jamais. A não ser pra atender a voz do amor.

MENTIRA

Minha mente está agachada debaixo do coração só por um momento enquanto passam aviões de papel Minha mente está agachada debaixo do coração só por um momento enquanto passam aviões de papel no fígado Minha mente está agachada debaixo do coração só enquanto escrevo a palavra trativelindepraglutifitotinquelux e enquanto caem incendiados os aviões de papel nos rins Minha mente está escondida debaixo do músculo cardíaco enquanto preparo um romance festivo cheio de pequenas fábulas tristes enquanto leio aquela palavra e enquanto o fogo cai do céu de mim Isso não é um poema pra ler e se emocionar talvez pra acumular-se dos cúmulos que enchem os fatos e fazem crescer o bíceps da alma nos céus do poder ser como posso esvaziando sempre a bexiga após a escrita líquida