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MESMÍSSIMA

Às atividades do ser aplicadas, Executadas no momento, Rejeito, para implantar no íntimo Do depois do momento O inimaginável traço De um poema metamórfico, E assim parar de voltar Com a rocha lascada de Sísifo Para uma ítaca de sangue Mesmíssima

CONDENADO

Catava conchas na areia dos olhos. Deixava-os flutuar como barcos Á deriva no canal das retinas. Era como nascer Nas águas de novo. Me fiz perguntas ao quadrado, lendo-me, Enquanto crescia no útero salgado dos dias. E acima das águas disso o Fechar Final do Poema. Me pus sem julgar-me no mar profundo do tempo, Sem verdades prontas. Sangrando-me veias agnósticas. Um punhado de poesia as condenara. Ao círculo do espelho.

É O QUE NÃO É

O viver, minha senhora, é tecer tempo e saber. Cabe o viver numa hora ou avança até morrer. Quando pensamos em tê-lo, foge no espaço a sofrer. A vida é pano que esgarça, se a tecemos com cansaço nos ombros frágeis da alma. Ao tempo morde com força, a esperar nossa febre, silente em seu alvoroço. O viver, minha senhora, sempre amor/ódio bebeu e todo envolvido em chamas consome o que não morreu. Quando pensamos que é nosso, o viver vai-se. F........

DA MARESIA METAFÍSICA

Da maresia metafisica, onde deuses antigos em decadência exercitam sua saudade ontológica Sobre as orlas das ondas, o sangue do último deus ou deusa, do último acordo, braço de espuma, vemos sua garganta de verdades dissolutas, Suas grandes narinas pretensiosas, seus ombros onde carregava o mundo, era grego ou grega, falava/pensava grego, escrevia vidas/contos em grego, dele não falavam as bíblias em grego, ninguém entendia Mendigos gigantes não tem o que comer em seus delírios Um minotauro sorri no rádio, tenta ganhar o seu pão Na esquina uma hetaira, outrora santa, espirala um cigarro Pequenos sátiros comercializam drogas e cantam com palavras de baixo calão Os corruptos, estes, nem se fala disparam cifrões arenosos pelos ânus das alianças Mas as formigas, ah as formigas, estas não param sua faina carregando as folhas, alheias à metafísica deste dia

O AMOR DOS MAUS

Hitler teve uma mulher que o amou. Mao teve uma meiga namorada. O ditador Franco fazia poemas incomparáveis e ridículos de amor. Idi Amin, antes de comer crianças, fazia declarações e amava sua mulher. Antes de morderem, As amadas lhes diziam ternuras com incêndio orbitando nas flores do sexo. Como entender o que é difícil?

MORDENDO O MAXIXE

Mexe o corpo, minha gente, Que isso lembra o maxixe. Lundu, polca, habanera, São avós deste sambuíche. Canta lá, trovão, Vê se fala manso! Cê tá sem noção, Grande manipanço? Em todo samba e lambada, O maxixe é relembrado, Calorosos nos meneios, No jogo do rebolado. Mas te amo, veja. Se te faço inveja, Faça assim também, E me ame ou nem! Cupido foi bem criado, Por entre abelhas cresceu, Mas tropeçou no maxixe, Sua alma enlouqueceu. Por isso, essa dança Arrocha no eu, Parafuso e rosca, No claro e no breu.