Pular para o conteúdo principal

Postagens

AO MEU PÓ

Conformado que eu estava com os pombos que todos os dias cutucavam-me os ombros, de frente para o mar bonançoso, mal notei o claro/escuro de minha luz revolta, desde o líquido amniótico, e quando vi, estava tragado pelo destino de nevasca, sabendo-me a biografia, a música, a violenta agitação da alma em procura, e o estrondo de ondas sobre o peito da Literatura, suas palavras de promessa esquiva ao meu pó.

O POEMA JÁ NÃO SABE

O poema já não sabe  se quer ser olhado, apenas vai abrigando  palavras n a mesma  alturinha em procissão, e não sabe do objetivo  que há nelas pois vai colhendo  a esmo  as folhas secas pelo chão, não porque ame as secas  mais que outras que povoam o baixo das árvores, nem porque fira os pés dos versos no espinho da vida e da morte, só vai colhendo as folhas pelo chão e formando  estranhas sintaxes para o escuro das gavetas

MESMÍSSIMA

Às atividades do ser aplicadas, Executadas no momento, Rejeito, para implantar no íntimo Do depois do momento O inimaginável traço De um poema metamórfico, E assim parar de voltar Com a rocha lascada de Sísifo Para uma ítaca de sangue Mesmíssima

CONDENADO

Catava conchas na areia dos olhos. Deixava-os flutuar como barcos Á deriva no canal das retinas. Era como nascer Nas águas de novo. Me fiz perguntas ao quadrado, lendo-me, Enquanto crescia no útero salgado dos dias. E acima das águas disso o Fechar Final do Poema. Me pus sem julgar-me no mar profundo do tempo, Sem verdades prontas. Sangrando-me veias agnósticas. Um punhado de poesia as condenara. Ao círculo do espelho.

É O QUE NÃO É

O viver, minha senhora, é tecer tempo e saber. Cabe o viver numa hora ou avança até morrer. Quando pensamos em tê-lo, foge no espaço a sofrer. A vida é pano que esgarça, se a tecemos com cansaço nos ombros frágeis da alma. Ao tempo morde com força, a esperar nossa febre, silente em seu alvoroço. O viver, minha senhora, sempre amor/ódio bebeu e todo envolvido em chamas consome o que não morreu. Quando pensamos que é nosso, o viver vai-se. F........