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SOPINHA DE AMOR

Não há quem seja silente Após sopinha de amor. As bocas meladas de eros Divinas pela metade. Nas sopinhas os amantes Chafurdam sem ver metades. São sopinhas adoráveis Feitas no céu dos desejos. Mas amor nunca foi sopa De sabores racionais.

O MAR ENTRE

Lembras: o mar se abria Por entre as pernas-mães. Lembro, o sol cosia, Enquanto fervilhava. Lembras, o vento do eu Já relampeava. Mil formas no mar Escalavravam. Nasceste morrendo, Mas já contavas. Tanta confiança  Pra quê, se não sou?

TEMPO MORTO

O tempo acumulado na ruga tornou-se o vale o sulco do homem em seu 3 X 4 submisso a desarticulações Onde mais tempo para brincar de seriedades? Sim: o suor do ponteiro no féretro da parede

DESVIANTE

Se sei o que o poema é, da vida real sei nunca, não sei da poesia os pés, sou hábil em gavetas Se beijo o que o poema fala, pretensão de sapo em fábula, se digo que isto é isto, isto é cisto quisto isto Se quero definir totalitário, meu total caos se organiza, se quero ordem, viro vário, ovário, mioma, corda E com desatenta rima sambo onde não quero, sei juntar vigílias dormentes com orações ardentes

ATRAVESSADOS

A vara sobre a montanha, na alma empedra a peçonha, a montanha estremecendo, o ter saco intumescendo o que se quer que se ponha entre os dedos do vento A cara sobe a vergonha, no corpo há liquidez para a oferta na cachoeira da carne que se desfez no desejo dos dolosos deuses atravessados por dentro