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quinta-feira, 28 de março de 2013

PARA TENENTE LEONARDO MACHADO DE LACERDA (Tragédia em boate: Tenente carioca morre após salvar colega e tentar resgatar menina)

Você não para, rapaz?
- É preciso ir lá.
Mas quantos já salvaste?
- Perdi a conta.
Então, fica, respira.
- Ficar não conta.

E lá foi lá foi à pira.
Amava o que fazia.
Sem medo da perda
que haveria.
Da festa a que faltaria
de sua amiga em flor.
Das piadas que não mais diria.
Das dores que embora em sangue
nos enchem a vida vazia.
Do amor ferido que eleva o ser
embora ao peito dolorido.
Não veria mais aquele rosto,
aquelas pernas, aquela cintura,
aquelas flores, aquelas pinturas,
aquele cachorro de olhar humano,
aquele livro, site de cultura.

Vejam, ele entra na boate
e traz uma vítima.
Volta logo e traz
uma outra e mais outra.
Salvar outro e mais outro
nunca é demais.
Um amigo grita,
ele vai e o traz.

Só não consegue salvar
uma menina. O fio
de sua vida se desfaz.
Tinha planejado, quiçá, um passeio
de norte a sul do Brasil.
Queria sentir mais chuvas.
Queria sentir mais ventos.
Queria muito mais momentos.
Abrir uma velha carta de amor.
Um velho retrato da primeira...
Ouvir mais um som de Pink Floyd.
De Lenine, de Roberto,

de Jackson, quiçá Ivete.
Ver um filme com Jolie ou Jack.
Engraxar um bom blindado.
Quicar pedrinhas no lago.

Um dia eu vi um incêndio
quando já foi.
Ninguém me estendeu as mãos no fogo.
Nem na água à volta, dos bombeiros.

Nem no ar fervente, qual vulcão.
Nem na terra me estenderam mãos.
Não de maneira desesperada
com a vida afrouxada.
Mas para aquele oficial
muitas mãos rogaram.
Talvez se as minhas estendesse,
ele abriria as suas asas, sei.

Era apaixonado por blindados,
vi no jornal.




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