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terça-feira, 23 de abril de 2013

VISTE, ESPELHO

Se tudo o que vejo parte daqui,

como acreditar nas tuas falas,

se o que causa escuros é de mim?

Teu é o coração que não me atinge.

Teu é o desprezo, ojeriza, asco.

Tu me lanças o enigma da esfinge?

Rastilhos de pus na pálpebra.

Se tudo enxergo a partir de mim,

por mais que sorrias, não me alegro,

pois ao morrer, o tudo se acabará.

Viste, espelho? Me escuta:

o que em mim cresce

jura inocência

do crime de ego/refletir-te.
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