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sábado, 7 de dezembro de 2013

APETITE DE TEMPO


Muitas coisas só dependem
de esquecê-las a tempo,
do tempo de um mosquito
ou do de uma mosca
ou da decisão de tempo
de uma formiga temporã
ou simplesmente de se ir
a um casamento frugal
por interesse no tempo
de alguém muito querido
que acostumou-se ao chicote
de um amor bandido,
ou comparecer a um velório
onde chegam parentes
de todos os estados e tempos,
sorrindo com abraços apertados,
enquanto o falecido desolha impassível,
talvez um pouco inchado e mal vestido
com um caroço de nascença
acima do nariz pequeno
e nas mãos nuas ainda se divisa
uma pálida tonalidade de tempo findo.

Muitas coisas só dependem
da variação da temperatura
das previsões meteorológicas
da quantidade de obstáculos
ou carga pluviométrica
das calçadas com buracos
no tempo sem cuidados
da existência de placas de trânsito
de pessoas dispostas a ajudar
com informações corretas
e disposição para ceder
um pouquinho de seu tempo
e olhar em seus olhos súplices
parecidos com os de seu pai
do qual todos diziam ser a cara do filho
embora com o andar do tempo
a mãe, que sempre rezava pedindo paz
para os homens de boa vontade
que perto dali discutiam
coisas de família como se fossem
coisas de outras, peça mais tempo.

Muitas coisas se resolvem
dobrando os joelhos...

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