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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

VIRGÍNIA WOLF

Virgínia Wolf,
após ler-se na carne de Orlando,
foi sumindo 

ao longo do Rio Ouse; 
sem se conterem,
as horas iam lentas 

como num filme 
de Tarkovski,
com as gotas salsas

na retina doce do rio.
Sempre que um escritor morre,
as horas choram infinitamente mesmo que
ninguém veja.
Mas com Virgínia inundaram a cidade,

velhas demais para se controlarem,
velhas demais para o espaço das coisas.

Pra que esconder sentimentos?
Cronos já estava morto.
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