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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

MITO DE CARNAVAL

Nas memórias da infância
o carnaval tinha cabeções
e fogos até
na ala das baianas.
A morte por vezes aparecia
nos carnavais antigos,
mas a morte que se lançava em cada um
vinha ao ritmo da bateria das tempestades
em compasso-paixão de trovões.
Os orixás não tinham medo de encarnar
e de ficar com as ninfas-destaque.
Ele na época era bom em reter os nomes.
Ele na época era bom no trançar palavras.
Conseguia rasgar sem retalhar
os anos febris e esperançosos.
Sabia vestir roupa de pássaro,
de sapo, de raposa, de leão, de lobo,
e, sem medo, devorava o sambódromo, 
como um animal,
a seguir os rebolados
das árvores, quadris em caracóis.
Mas, agora, ele era um mito,
uma crença escorrendo no tempo
e não adiantava juntar seus visgos.
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