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sábado, 26 de dezembro de 2015

PARA LÚ OLIVER

Lúcia
Luz
Que ilumina estes cômodos

De alma com umidade,
Onde o espaço grassa
E mete as unhas.

Luz Lúcia
Luz
Que segura meus telhados
Antigos que se desfazem
Sobre caibros milenares

E verdes e tortos.

Lúcia
Luz luzindo,
Estou de novo em França
Onde era 

Um tronco rugoso e barbudo
E te atravessava com 

Espinhos enciumados melados na seiva
Da paixão doentia.

Lúcia
Que ilumina este quintal,
Onde uma arca se abre
E recebe minhas feras

Que herdaram da Idade Média
Patas que te marcam com misoginias
Religiosas. 

Estou encarnado aqui
Neste lodo de grafite,
Com a alma apalavrada

Em sintaxes preguiçosas.

Te digo:
A arca navega
Sobre o sangue do tempo

E o poeta apenas vai sendo levado
Pelo papel onde cola espelhos.
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