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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

DA MARESIA METAFÍSICA



Da maresia metafisica,
onde deuses antigos em decadência
exercitam sua saudade ontológica

Sobre as orlas das ondas,
o sangue do último deus ou deusa,
do último acordo, braço de espuma,
vemos sua garganta de verdades dissolutas,

Suas grandes narinas pretensiosas,
seus ombros onde carregava o mundo,
era grego ou grega, falava/pensava grego,
escrevia vidas/contos em grego,
dele não falavam as bíblias em grego,
ninguém entendia

Mendigos gigantes não tem o que comer
em seus delírios

Um minotauro sorri no rádio,
tenta ganhar o seu pão

Na esquina uma hetaira, outrora santa, espirala um cigarro

Pequenos sátiros comercializam drogas
e cantam com palavras de baixo calão

Os corruptos, estes, nem se fala
disparam cifrões arenosos pelos ânus
das alianças

Mas as formigas, ah as formigas,
estas não param sua faina carregando as folhas,
alheias à metafísica deste dia
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