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FIM RELANDO

Me espanta o fim das coisas
que a TV me entrega sujas,
sem cérebro.

Acordo e vejo as coisas como são.
Sempre o mesmo Cérbero.
Os sacos de Caronte fuçados.
Sempre no local de lutas
Um ou outro amigo aparece.
-E o meu processo? Tá no forno?

...Breve vou escrever sapatos

E editar chão pisado. - Corno,
o que você acha do Poder?
-Tem a deformação da forma louca
(Embora ache pouca).
O cão me segue (cadela?)
A velha louca que me pára e pela

Com seu ferro quente.
-Conheci seu pai, o Alencar.
Meu pai era, disse-me ela,

De pureza linda e sem-vergonha.
Louco sou eu. Ela é laica.
Dudu na rua com seu capa preta.
Um dia veio um tiro em flor e dor.
Sei disso, porque foi ontem o amanhã.
Há um canto, enquanto estou riscando.
Ela canta e não posso sucumbir ao seu nada.
As roupas de Ulisses não me servem.
O tempo apequenou.
Vejo quatro caras de porco em escândalo.
Falam da covardia de Ulisses ao se amarrar.
A louca fala que as sereias gostam de gregos.
Ela, a louca, sempre urina no canto da igreja.

Urina pensando no padre Pedro Pedra.
Por que a chamo de louca se não há sãos?
Lutar com palavras nelas se amarrando.

E olhar a musa sedutora chupando.
Sem ficar porém entregue.
O fim está sempre relando o pinico de nós.

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.