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A LUZ NA ALMA DÓI CARNE

Lá vem você me acordando.
Olha que meu bafo é irado.
Saiba que, desenquadrando,
Vou me enrolando, quadrado.

Mas sou quadrado ao contrário,
Gosto do qu'inda não vi.
Sofri todas as pedradas
Que do meu rim extraí.


Mas já era mesmo hora
De acordar este sangue,
Continuar, mesmo fora,
Mesmo neste tempo exangue.

Hei de armar bem os poemas,
Ousar como nunca ousei.
Refletirão os problemas,

E a alma do povo-rei.

Após, voltar a deitar-me?

Após, de mim me esquecer?

O tempo na alma dói carne.


E arco a escurecer-me.

Comentários

Dilmar Gomes disse…
Passando por aqui para apreciar tua arte e para deixar o meu abraço. Vi no noticiário que a tua cidade está sofrendo o excesso de chuva.
Tenhas uma boa noite, uma esférica.
Dilmar Gomes disse…
Natan, eu quis dizer, uma noite esférica.
Obrigado. Aqui, realmente, a tempestade pegou-nos de surpresa. Desde 1970 não ocorria uma enchente igual. Mas tudo está se ajeitando. Boa noite.