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NÃO DEIXAREI DE.....

Não deixarei de.....
Podem as guerras dizimar piedades
com silenciosas bombas químicas.
Sempre haverá palpitar nas vidas.

Podem os rios fluírem areia,
podem as árvores fumarem seiva,
podem as flores falsearem beleza,
e folhas anteciparem o outono,
e girassóis enregelarem.

Não deixarei de.....

Podem os abraços se perderem na distância,
podem os anéis se afrouxarem entre os dedos,
que sempre haverá amor dentro do medo.

Não deixarei de .....
Apesar das escamas sem os peixes,
de sereias feridas pelas quilhas,
de tritões desbocados de corais,
de desfiladeiros no espírito.

Inobstante jacatirões de esquecimento,
flores vermelhas, jequitibás de mágoas,
figueiras de cem nós de rejeição,
não deixarei de...
nestes tempos de pura raiva e acúleos,
nestes tempos dos impacientes
tiranos cabeças de cão.

Sempre haverá coração para sorrir,
sempre haverá coragem para o fim,
para traçar o poema pro delfim,
para sorver a aurora com defeito,
de romper a morte em tungstênio,
de salvar os corpos com estruturas,
e sempre o poema nascerá rebelde,
conservador, insano, ajuizado, assassino,
salvador, pequeno, maior que o nada,
pois sempre leal ao nunca deixar de .....
não deixarei de....jamais deixarei de....
isto aqui.

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Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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