Pular para o conteúdo principal

POEMA DE MIM

Entre trovões e relâmpagos,
fingia estar 
numa tragédia de Sófocles,
frente à faca das arquibancadas,
onde olhos moravam
de pupilas raiadas 
a mostrar faces inusitadas.

Disseram-me
que não eram tão assim
quanto o meu medo os fazia,
e que eram em verdade 
belos olhos
e que não nutriam pelo palco 
grandes ódios.

Eram olhos 
que há muito tempo 
miravam ene terremotos e 
ritos pândegos de viés.

Convencido, como a voz 
de uma gralha de vidoeiro,
banhei-me na charneca onde, 
quebrando-me e rindo,
me fizeram cair os olhos e 
meu casco-cosmos se quebrou.

Tive de colar e explicar 
o poema e este ato
foi meu supremo pecado.
Fui condenado 
e suspenso por segundos 
da que sempre melecara.

Sempre me imaginara 
a réplica vitrificada 
de um Verso 
sem carnes.

Quem me vê 
assim cantando 
não sabe o Poema 
de mim.
Da máscara, eu sou 
coadjuvante e dentro.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.