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BOM TEMPO

A morte está na flor. A vida ao lado da morte. E dentro Lê-se o espinho na pétala da vida. Não deixar pro fim a folha inusitada. Fez-se coisa. É o que dizias. Pensar o sexo como estrada ao fim É falha. Pois a mata de prazer. Mandar ás favas. Escolher bons sinais. Há Um mar-de-signos-a-criar. A vida vai, se for . Ou fica. Se não.  O papel ao lado.

A MEMÓRIA

A memória brinca e pinta nossos álbuns Somos sobre/sob a roda do ontem em pétalas Há incêndios empalados no passado sem gozo permanente A alma de sete anos envesga por trás dos óculos verdes Para engolir a linguagem com pressa de chegar à idade adulta e então defenestrar Aquilo que é se mover em sua morada Difícil em cima da árvore que não havia Como criar palavras-pitangas Para descrever novas coisas E criar bancos-corais para as primas do amigo Aprender depois a suma receita de: Engolir os mares com nossa arrogância A janela do desejo em seus trovões De tentar escrever o sol cubista Mas não Olhar pela janela os sacis perfilados O cavalo fala dos filósofos loucos e faz seis asas de seis patas Tudo é memória

QUEBRADIÇO ORGULHO

Há o quebradiço orgulho de fazer relevos orais num palanque velho, como um leão de lata. Alguns assim sôffregos Entram na política. Ele, o ser, vai salivando com dissimuladas atitudes, e avança e se torna vaidoso em seu nada. No poeta o desejo de ser os confins, e assim enriquecer na noite os jogos das florestas que a mente tece e esquece, enquanto o sonho afaga... Há muita vida renhida no poético corpo de barro, embora a velhice seja faca. Apesar da pele do espaço breve nos órgãos do nosso tempo de rouca linguagem política.