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ANTES DE DEITAR

Olha, menina, dizia-lhe a Mocha Contadora, Ele foi goleado do amor teu antes de deitar as mãos no sombrio. Por sob tripla trave de concreto não percebeu o chute teu na reta. Tinhas incorporado um triste orgulho e quando o percebias tinhas náuseas. A face sangrou dele, irrefletida do bico do desprezo que lhe tinhas. (dizia-lhe a Mocha em altas horas e definhava a moça pasto afora) Fim Firi Fifim! Quem quiser reconte começando o fim.

DESENTENDENDO UM EU

Quem que ou qual quando Coando estou no café quem Perco o que fui tal qual zoando Fui qual foi querendo sem Ser voltei quase coruivando Pois cá fiquei quando sereno o bem Em verso rubro me entortei Sou cem ser cio e sons sem nem De céu e sol em cem sins saneei Que sairão voando a trem Num girassol solando seis Mil nãos inteiros em zazen Quem sou suando à beça E estuando em pressa e bem É onde estou sentindo Qual me desentendendo Um eu sumindo o outro amém

BOCEJO INSÓLITO

Em sua alma, enquanto ele dorme, Forma-se um poema. Por dentro, os olhos a procurar vazão. Contra as paredes do sono, sombras De fluidos tijolos formam casas de mistério. Em seu corpo uma dor consistente Debruada de insensatez. Acorda. Pensa no som da água Enquanto abre a torneira para a sede. Silêncio insólito e barulhento. Só sem si. Ou mi. Mil que se despedem De gestos interrompidos. Assim, a forma poética boceja, Sempre a fugir da foice rubra.

MEU VOTO

Quis passear com Cubatão, uma dama aprendendo a se vestir. Enxerguei-a, sentada, a manipular um celular. Pra quem estaria a ligar? Será que cheguei tarde? Mesmo quando bem não se vestia, sempre a olhei com libido. Então, ela me olhava. Mas eu era tímido. Agora, ela liga pra alguém. Talvez ela tenha agora sonhos e eu só tenho um voto na urna da alma. Ela não sabe mas meu voto só é suficiente  pra uma esperança de poucos segundos.

SE SEMPRE E NUNCA

Ele vivia no lixo de sua própria ontologia. Antes. Pisava o Outro com cinzas filosóficas. Como se sempre, nunca era o se fora. Mas eu sabia. A coragem lhe vinha de nunca ter sido atingido por  si - mesmo. Como hoje.

CINZAS

Vês aquele olho furioso  coalhando? Está com fome roendo próprias pupilas. A boca dele é do tamanho da nossa ausência. Vem pelo oceano que borramos. Águas vivas de violência.