Na cidade que é você Escalo prédios concretos Pontes construo de afetos Mas caio sem ter porquês Na cidade que é você Corroem mágoas molduras De espanto tecem figuras Oxidadas faturas De mistérios fazem torres Que de tão altas assustam Na cidade que é você Ruas alagam qual rios Sobem altos casarios Seus sorrisos são metais Estremecidos de frio Na cidade que é você Embalam tremores morros Demônios morrem de vez Amando os céus em socorro Da cidade que é você
Talvez se olharmos no cerne Do atabaque do Mestre do Tambor E assim penetrarmos os nexos Da Interior Selva Encontraremos em nós o que dorme E se seguirmos enfrentando as chamas Acatando instantes imberbes, Concordando em nossos troncos Com as formiguinhas nas dermes, Acenderemos com suas folhas O caminho por entre átomos Ao som do estalar palavras, O coração aos berros veremos.
Espero pastéis chuvosos de lua. Blocos sextavados para o asfalto. A chuva ofusca em néon na noite. E espero tubaína para a engorda. Estou gordo e me pergunto: Se estou pesado, à alma é bom? Ser transformado em bolo-construção. Que a gente pega quando está sem mãos. Na casa o aluguel é caro. Sei que os rostos estão tristes E o sonho é grave. Espero....
Se você olhar sua dobra mínima dentro e acima das pálpebras de Deus... Ali se esconde aquela sombra de pesadelo que era o mundo adulto de seus pais. Quem sabe se você olhar verá o que é impossível esconder: homens que em seus buracos puseram objetos sagrados e agulhas de humilhação. Os dedos dos juízos da esquina e adjacências: naqueles sinais do pescoço: nossos julgamentos. Quase escondido um ponto de depressão você verá. Só juntar um com o outro para o ruir da tua consciência. Há marcas ali sugerindo novelas de horror. Outras aqui sugerindo suspenses inelutáveis e cinemas com cheiro de urina. Chamam-na de Putaselle. Sequer ela conhece a França embora tenha um edredom com desenho da torre. Um edredom todo azedo de inúmeros vômitos. De quem é a imagem no espelho que ela mata toda manhã? O espelho não reflete o seu nome todo. Só o Puta.
Sempre há um som concentrado, um também pra desconcentro; se há um tal que faz um dado, há outro que faz um cento. Sempre um trovão de momento, lembrando a chuva passada, quando o suspiro do vento lembra doces madrugadas. Era mais preciso o gesto de escalar galhos, audácias que geravam astronautas nas pitangueiras-galáxia.