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ENGANO FÁCIL

Ultimamente me engano facilmente. Jogo pedras nos rins como dor lombar. Os cabelos nos ombros das idéias. Livros amarelos rasgados. Cheiro bom de sebo. Sempre perdido um pedaço de estar. Sempre a cadela metafísica late para a morte. Acelera com seus latidos meus pés de galinha.

DESABO EM SUA CIDADE

Na cidade que é você Escalo prédios concretos Pontes construo de afetos Mas caio sem ter porquês Na cidade que é você Corroem mágoas molduras De espanto tecem figuras Oxidadas faturas De mistérios fazem torres Que de tão altas assustam Na cidade que é você Ruas alagam qual rios Sobem altos casarios Seus sorrisos são metais Estremecidos de frio Na cidade que é você Embalam tremores morros Demônios morrem de vez Amando os céus em socorro Da cidade que é você

SE OLHARMOS NO CERNE

Talvez se olharmos no cerne Do atabaque do Mestre do Tambor E assim penetrarmos os nexos Da Interior Selva Encontraremos em nós o que dorme E se seguirmos enfrentando as chamas Acatando instantes imberbes, Concordando em nossos troncos Com as formiguinhas nas dermes, Acenderemos com suas folhas O caminho por entre átomos Ao som do estalar palavras, O coração aos berros veremos.

O SONHO É GRAVE. GRAVE ISSO.

Espero pastéis chuvosos de lua. Blocos sextavados para o asfalto. A chuva ofusca em néon na noite. E espero tubaína para a engorda. Estou gordo e me pergunto: Se estou pesado, à alma é bom? Ser transformado em bolo-construção. Que a gente pega quando está sem mãos. Na casa o aluguel é caro. Sei que os rostos estão tristes E o sonho é grave. Espero....