Pular para o conteúdo principal

Postagens

QUEBRANDO

Arrancar os espinhos dos pés, Assim, jorrar as vozes do chão, Retirar o enxergar dos olhos, Assim, cegar os fatos, Acovardando o claro óbvio. Deitar fora o punhal, Quebrando as águas do ódio.

RUA A PONTO DO FIM

A minha rua está cheia de buracos. A minha rua se encolhe, desnuda. Até perante a cadela muda. O rosto da rua antes Era tão belo como o teu! Seu pescoço dobrava langue  as exangues esquinas. Agora não vê a hora de desligarem os aparelhos, na UTI.

ONDE CRIATURAS SIMPLES SEM DEUSES?

Deusa-Não-Deus se junta à brisa e delira. Gota a gota, a íris escorre nos telhados. Orvalho no soalho verde move giras. Deus-E-Deusa manhãs orvalhadas Nos cabelos das ondas do mar. Poetas, pégasos e unicórnios salivam Verdades em ruínas. A realidade puxa um cigarrinho na esquina. Onde haverá criaturas simples, desfumadas?

ZECA

Movem-no, modelo urbano. Ante o novo Sinédrio E suas guilhotinas, Zeca passa frio e não nota que Azeda sua marmita em zinabre Enquanto dá seu obrigatório voto. Não entende o Poder. Não entende o bulício. Mas ele sente as marteladas na flor. No jornal que esfrega, Há sorridentes homens De bundas cinzentas.

O TEMPO A VIDA E O MOTOR

Eu não sei se tenho isto a que chamam paz de rei; não é bom reino tranquilo, isto eu sei...tá bom, não sei. A paz é pra vida de um que muito de si já deu; já muito ralou nas pedras, caracóis-medos sofreu. A paz na alma é que arde, não dá jeito no morrer a posse do Mestrecard. O tempo faz reverter? Não conserta, só enferruja O motor que move o ser...