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DATA VÊNIA POR OBSÉQUIO - poema antigo revisto

Com a alma "down" e corpo incerto, o poeta solicita, presto, listagem de todos os poetas lidos por cada um dos que tem o hábito in(útil) de ler poemas destes vagabundos. Que sejam sublinhados os poetas em desvio de função. E os prontuários de todos os escritores exonerados a bem do serviço poético sejam a mim enviados. Que mandem a mim também os currículos dos poetas e escritores aposentados. De poetas de confiança, desconfio. Quero ver as feridas e ouvir seus gritos p ara acreditar na Poesia Sua q ue bem entrou em minha Cuba levando às mãos palmas de ouro. Para acreditar piamente, Tenho de ver chagas, os dentes de suas palavras doentes marcando o espaço em branco (detesto poetas e saltimbancos!).

PRANTO DO ATOR

Assim, chorou o ator, em primeira atuação, quando o pano descerraram. Na platéia, surda velha escutava a todo pio. Bateram em sua bunda, de cabeça para baixo, e ele chorou como nunca, porém bem mais choraria. Puseram na sala ao lado. Ele ansiava por Ela, a Diretora Geral, Mãe de belos odres plenos. Quando ela se aproximou, carinhosa como sempre, ele pulou com furor: cravou gengivas de pedra naqueles odres em flor. Esvaziou-os até ficarem murchos de dor, só que se encheram de novo, e ele esvaziou-os, e eles bem mais inflaram, e ele os desinflou, branco espedaçado em sangue, e assim foi se instaurando um hábito inarredável de mamar e desmamar, sob o sol cotidiano, cada ano seu de vida. Terminou sem os tapinhas, sem aplausos, ovações, no mesmo leito que havia.. O teatro cheio de mofo, A velha surda no estofo E a comadre gris vazia.  

TRILHA DE LESMA

Há alguma in(certeza)? Muitas, né. Hoje, acordei como se tivesse em susto diante de um papel em branco, onde faltava um pontinho inalcançável. Ao dedo, que, no calor, molhava o que fosse secura de conceitos. Lembrei-me dos primeiros dias, o caminho como trilha de lesma. Era de estilo, talvez o meu visgo tenha feito escorregar até caramujos antigos. O ego ainda insiste em rezar e traçar sinais além-de-si. Tem de ver o si. O si.

ÓRBITAS EM MEIO

Vários olhos cegos nesta Data-do-Papaizão. Jorram anseios no Iraque do Cidadão Com Filhos. Quem responderá perguntas sem lábios? Olhos de vazio portam desespero e projéteis, Rodam a chave no buraco dos morros De Lugar-Algum para Nenhum-Lugar. O cão-filho destroça  Uma menina abandonada Com pontas de pneus incendiados. Lembrando árvores de escuridão, nos perdemos Em caminhos com cinderelas golpistas.  Há muito somos sufocados sob sacos plásticos, E os homens continuam tendo esperanças Embora sonhos sejam interrompidos Por pedidos de identificação.

LUZ DO MEU NATAL

Logo o dia de Natal Chegará, rindo e sem pressa. Virá andando, normal, Longe da minha travessa. Os mais ricos salafrários Esperando a ocasião Comprarão presentes caros Às crianças do salão. Sempre tem bons milionários que darão de coração presentes aos desprezados pelo sistema fujão. Haverá pobres também que embora sem dinheiro farão pelos outros pobres o que lhes fez Deus primeiro. Pensarão num bom menino Ao longe, irradiando paz. Sem saberem que está perto Desde os tempos de meus pais. Brinca com a minha cadela, Rasga o meu bom sofá, E esquece as coisas sérias No que vive a maquinar. Ontem subiu no telhado. Dei-lhe bronca, ele sorriu. E no seguinte minuto Voltou, caiu, se feriu.... Hoje, viu menina bela, Sem saia pra levantar; Então, entregou a ela Seu pipi pra segurar. Esse menino Jesus Foi Pessoa que me deu. E no Natal dá-me choques, Eletrocutando o eu.