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GARRAFA

O erro que venha essencial  e escorregue O erro que venha mal e gere bens no papel O erro que traga  a palavra acertada Como aquela garrafa  que as ondas trazem quebrada na mente das ondas

RESTOS DE À FLOR DA PELE

Deixo você ir, Espaço/tempo Para ver-te por dentro. Deixo-a ficar, Embora à flor da pele. Ou melhor, ir e ficar, O amor pontiagudo nos restos. Fico na esquina de qualquer angústia Onde me esmaga a dor e o prazer Indo e vindo E como ver meu perfil sumir No teu, se desenho com mãos trêmulas? Sim, pode ir... Não, pode ficar...

AMAR A BELEZA

Certo que ama o teatro a ilusão do bem no mal a poesia a música as Artes do prato desde que cheio de um bom pedaço de bife e fritas e chopp de ladinho declarando sua volubilidade virtual às linhas de um bom poema. Amar a beleza das linhas de palavras que nem se sabem deixa este coração desalinhado e leso e riscado de blasfêmias no palco.

NASCI CRESCI

Nasci e cresci me inquietando. Desde sempre perguntando. E quanto mais perguntava, na alma Reta um lado ardendo. Algumas palavras nasceram E me entortaram mais. Fiz túmulos de papel, Mas à dor não deram paz. E fui destoando, toando. Desentranhando, doendo, Entortando o desencanto De atordoar o tempo. Das poesias que fiz, A mais torta é mais feliz.

MAS GANHASTE

Perdeste  mais um  dia disso. Mais um  dia daquilo. Perdeste  mais um risco de arco-íris. Perdeste  ao discar tantas vezes  para Osíris que inexiste sem o antigo. Perdeste  o amarelo e roxo  dos ipês. Perdeste  cantos de pássaros. Perdeste  o verde dos jardins. Perdeste  os amores  que trituram. Perdeste  tempo ao espelho, ficaste empedrada. Perdeste  o caminho que não escolheste. Perdeste  quando negaste o rosto  ao cão da escada, amor verdadeiro. Perdeste  quando viste luz  e ensombreceste. Perdeste  quando não ligaste  à dor de outrem. Perdeste  te desviando  às chances de sorrir. Mas ganhaste quando a amizade  devolveu o que perdeste em nacos de afeto iluminado.