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MAS GANHASTE

Perdeste 
mais um 
dia disso.
Mais um 
dia daquilo.
Perdeste 
mais um risco
de arco-íris.
Perdeste 
ao discar
tantas vezes 
para Osíris
que inexiste
sem o antigo.
Perdeste 
o amarelo e roxo 
dos ipês.
Perdeste 
cantos de pássaros.
Perdeste 
o verde dos jardins.
Perdeste 
os amores 
que trituram.
Perdeste 
tempo ao espelho,
ficaste empedrada.
Perdeste 
o caminho que não escolheste.
Perdeste 
quando negaste o rosto 
ao cão da escada,
amor verdadeiro.
Perdeste 
quando viste luz 
e ensombreceste.
Perdeste 
quando não ligaste 
à dor de outrem.
Perdeste 
te desviando 
às chances de sorrir.
Mas ganhaste quando a amizade 
devolveu o que perdeste
em nacos de afeto iluminado.

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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