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DÚVIDA DE ODOR VERBAL

O rosto áspero, ao raspar na véspera, rasgando os fatos às palavras dando conchas, suor em pérolas, porosos versos do dia-a-dia, o ser repaginando. Ser atingido por mil paradoxos, ser oceano de papel pensante. Chegar ao êxtase hierofante chegando a traços de infante. Sentir o odor verbal da intensa vida: criando semas neste altar risível. Mas se tanto metro hoje é guia e molde, terá lugar o poema irreprimível? Se bem não siga eu completamente, cuspa de lado e escreva em dilúvio. Ser poeta é ser oásis num deserto, e ser deserto num oásis, mesmo em gelo e peste.

ANTES DA FOLHA AMARELAR

Quando chegarmos à velhice, ainda deitar-me em ti, em decúbito, sem caduquice, a que o fluxo súbito da Morte no umbral beba em nossas árvores orvalhadas líquidos desejos de Vida. Sei que podemos mas não devemos perder o último raio de luz, nem pôr de lado ainda nossa cruz. Na reflexão de instantes, podemos restaurar tremores corporais, orarmos em amor de leite , deslizando gestos em tato máximo, ventres e seios apoiando estrelas, antes que o orvalho seque a folha amarelando

UNS FIDAPUTAS

Sócrates foi morto com cicuta e não ligou,  a vida é mesmo curta, continuando..... Sócrates, a falar virtudes a jovens que choravam e não entendiam bulhufas da sua força. Eu não conseguiria. Já pensou? Saber que se vai morrer, por causa de uns fidaputas associados ao governo de linha corrupta, e que talvez dessem uma enquanto assinassem tua morte. Que iria pensar após beber a cicuta? "Essa porra dessa cicuta... Se fosse tequila, ah, se fosse....".

AS PEDRAS SÃO E AS TEMOS

Meu irmão Sísifo, não te magoes, as pedras são nada. Vejo em teu semblante um leve rasgo de paixão por montanhas. E por teus irmãos rochosos que ainda vivem. Querido irmão em dureza, por que arrastar? Crianças e adultos morrem na África, Sem saberem das luzes de Sebastian Sal. Nem todos sentem pena do besouro esmagado, Só o Homem de Lata do Magico de OZ. Por que eu te disse isso? Não sinta pena de rochas. Se quiser, continue rolando-as. Os infernos não estão só nas outras rochas. Também nós os temos em ativa circularidade.

FUNERAIS PARA O COPO

Prender peixinhos de vala  em vidros de maionese. Fiz isso em criança. Deixar na mesa. Pegar um copo, prender a mosca,  lavar, tomar o suco. O copo no fogo trincará. Funerais para o copo ganharão sentido. Recriarão copos novos. Sempre criam. Quem sabe se aprenda a aprisionar moscas de plástico.

VÍTIMAS DO IRAQUE E DOS DE ARAQUE

Recordo agora das vítimas palestinas, das vítimas da África, das vítimas no Iraque, das crianças desnudas em Hiroxima, e vejo monges de raspados côcos venderem côcos em frente da igreja e destruirem coragens com amor. As pupilas de Mefisto matam crianças perfiladas como em boliche. Um bobo ataca pelas costas uma cadela com frio na escada. Tragédias na TV superam as ficções que em breve deixarão de existir. O verborrágico mercado se auto-justifica e não sai de seu opaco vaso sanitário. ..Por que todos esquecem o sangue que pintou a árvore do amor?