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CELESTIOU-NOS

Olha, dizia-nos o Céu, vou voar sobre vós. E azul escarcéu colibriu nossa voz. De vê-lo fiquei oblíquo, em nós o Céu soou e, todo ubíquo, celestiou-nos. Enquanto isso, mil sóis fluiam e nossos corpos diluíam. Nossas almas de frágeis linhas, tatos suavam, tintas ferviam.

PARA HELLE ALVES E SUA PAZ

- Quem é aquela naquela lojinha Com cabelos de nuvenzinhas? Você fala de Helle, irmã de valor, Ou fala de Helle, mãe que costurou Um grande tapete com fios de valor? - Quem é aquela naquela lojinha Com cabelos enovelando? Você fala de Helle, irmã de Homem, E mãe de Lael, a que derrubou Enormes paredes com verbal espada? - Quem é aquela que caminha lenta e abre a lojinha com paz e contento? Você fala de Helle, irmã de Poema, Que caçou notícias no sul e no norte, No leste e no oeste, onde desse sorte? - Quem é aquela que senta e reflete Sobre a noite ida, sobre o mar aberto, E que traz na alma sonho flor e mel? Você fala de Helle, a que foi pioneira, Mulher, jornalista, que cedo foi feita Amazona andante?

DÚVIDA DE ODOR VERBAL

O rosto áspero, ao raspar na véspera, rasgando os fatos às palavras dando conchas, suor em pérolas, porosos versos do dia-a-dia, o ser repaginando. Ser atingido por mil paradoxos, ser oceano de papel pensante. Chegar ao êxtase hierofante chegando a traços de infante. Sentir o odor verbal da intensa vida: criando semas neste altar risível. Mas se tanto metro hoje é guia e molde, terá lugar o poema irreprimível? Se bem não siga eu completamente, cuspa de lado e escreva em dilúvio. Ser poeta é ser oásis num deserto, e ser deserto num oásis, mesmo em gelo e peste.

ANTES DA FOLHA AMARELAR

Quando chegarmos à velhice, ainda deitar-me em ti, em decúbito, sem caduquice, a que o fluxo súbito da Morte no umbral beba em nossas árvores orvalhadas líquidos desejos de Vida. Sei que podemos mas não devemos perder o último raio de luz, nem pôr de lado ainda nossa cruz. Na reflexão de instantes, podemos restaurar tremores corporais, orarmos em amor de leite , deslizando gestos em tato máximo, ventres e seios apoiando estrelas, antes que o orvalho seque a folha amarelando

UNS FIDAPUTAS

Sócrates foi morto com cicuta e não ligou,  a vida é mesmo curta, continuando..... Sócrates, a falar virtudes a jovens que choravam e não entendiam bulhufas da sua força. Eu não conseguiria. Já pensou? Saber que se vai morrer, por causa de uns fidaputas associados ao governo de linha corrupta, e que talvez dessem uma enquanto assinassem tua morte. Que iria pensar após beber a cicuta? "Essa porra dessa cicuta... Se fosse tequila, ah, se fosse....".

AS PEDRAS SÃO E AS TEMOS

Meu irmão Sísifo, não te magoes, as pedras são nada. Vejo em teu semblante um leve rasgo de paixão por montanhas. E por teus irmãos rochosos que ainda vivem. Querido irmão em dureza, por que arrastar? Crianças e adultos morrem na África, Sem saberem das luzes de Sebastian Sal. Nem todos sentem pena do besouro esmagado, Só o Homem de Lata do Magico de OZ. Por que eu te disse isso? Não sinta pena de rochas. Se quiser, continue rolando-as. Os infernos não estão só nas outras rochas. Também nós os temos em ativa circularidade.

FUNERAIS PARA O COPO

Prender peixinhos de vala  em vidros de maionese. Fiz isso em criança. Deixar na mesa. Pegar um copo, prender a mosca,  lavar, tomar o suco. O copo no fogo trincará. Funerais para o copo ganharão sentido. Recriarão copos novos. Sempre criam. Quem sabe se aprenda a aprisionar moscas de plástico.