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PÓ EMBOLADO

A vida nos movimenta e vamos em frente, seguindo o cheiro e o passo de quem vai mais rápido, arrastando os átomos, multidão no deserto dos dias. Na multidão, não nos localizamos. Somos pó. Um pó pensante cada qual. De vez em quando, somos tempestade de areia. E embolamo-nos.

FALO E FALA

Um Deus chamado Ele é patriarcal demais como um Deus que é Ela unilateral. Casa de um Deus-Pai gera fala(escroto) uma só da mãe gera fenda/lábios rotos. Se duas energias do macho e da fêmea, porque o domínio do findo ou da.... fenda? Por que a lucidez é tão difícil e precisamos nos desdobrem pela eternidade fóssil? Por que não nos amarmos agora com a energia da terra, religare, que se juntará a nossos átomos? Pronto. Isso que é belo. Somos nós sem nós cegos. Deixa de falar em Deus toda hora pra que outros escutem e te olhem com respeito ou te votem nas eleições. Ou com medo. Ou com algum sentimento. Tens impulsos? Controla-os. Tens pecados? Embrulha-os direitinho na gaveta de dentro e anda. Não temas o fogo eterno que não existe, mas se existir o chip de Deus/Macho/Fêmea está falho ou precisa ser carregado pois contaminado com o Sadismo. Divino ou Humano? Não ficar indignado. Em último caso, cultivar a Dúvida e coma-a na salada setenta vezes sete. Cada átomo tem um interior e um exter...

OBRA FALANTE

Quando apreciei um quadro, pela primeira vez, com meus olhos banhados em névoa, tive de me aproximar bastante para assim tirar conclusões mais abalizadas. Ninguém quis saber de minha opinião que escrevi em língua morta. O próprio pintor estava morto. Só sua obra é que falava a mim pelos cotovelos.

POEMAS-METANO A PRA ELES

Os poetas-editores-pós....que posso falar sobre eles? Que eles por vezes parecem pós(etas)? Que quando morrem estão tão mortos que não os achamos? Por que devo falar que são algo? Se são pós. Bem, sobre eles, sabemos Que soltam poemas pelos cantos, Quando ninguém lhes pode sentir. ..Mas eu não sou educado, quando menos esperarem solto-lhes um poema - metano. Gosto de soltá-los em lugares lotados.

SACO NA AREIA E NÃO DE AREIA

Tropeço na praia por entre latinhas e garrafas de água. Carrinhos vendem sorvetes e calcinhas e sutiãs. Proliferam barrigas na meia-idade. Digo olá aos de barriga como a minha e aos outros invejo e desprezo. É automático esse ato de desestender as mãos com despeito. Me pedem desculpas, pois não querem ofender-me com seus corpos em forma. Caminho até a praia dos sonhos. Pesadelos de conchas me encaram. Querem cativar-me pois sou o único que se aproxima. Ainda planejo criar um sinal da cruz ao passar por eles. Estão pela metade os meus amigos. Quais meus inimigos. A cada semana um incêndio lhes leva uma parte da alma. Cada um deles tem a vida como a praia tem a brisa. Metade da face dão ao sol para queimar. A outra ao facebook. As ondas são insensíveis aos buracos da areia. Eu não, pois sei apreciar ainda mulheres de bruços. Saio da praia dos sonhos carregado em triunfo por pesadelos. Que saco...

CICLO DE CHEGANÇA

Você chegou, faço-me lábil No espaço/tempo do desejo, De você foz, pele e meandros. Você chegou, quero que afaste O resto aflito e nasça o canto. Você chegou, quero seu saibro Em meus dedões desformigando. Você chegou, quero que o laivo Dos lábios seus fale em meus lábios. Você chegou, quero que o gozo Seja em lençóis com explosivos, E o nunca mais nos seja enquanto Durar na alma o eterno ciclo.