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HOMEM SOLITÁRIO

O homem solitário acompanhado  de uma excelente família fechado em si mesmo não consegue achar a chave para o tempo inicial quando havia um sol um mar uma lua diferentes e uma guitarra com muitas canções de amor. O homem solitário acompanhado de uma excelente família no retrato.

PRA FICAR FELIZ

Um poeta me disse que pra ficar contente basta sentar no bar pedir chopp ou cerveja comer um escondinho ou fritas basta. Pra ficar alegre uma boa conversa de preferência breve sobre a vida basta. Pra ficar de boa olhar o horizonte andar à toa rimar hoje com ontem basta. Mas pra ficar feliz é tudo isso junto mais o encontro de uma Mulher que seja o complemento da Vida que se quer.

QUEM SOMOS

Que Deus esteja, amigas sombras! Somos necessidade?  Que será  de nós?   Sem a luz, sumimos. Conheço-vos desde a primeira. Éramos sombras do vulto de Deus. Como éramos gigantes! Fazíamos covas pra que anjos sem asas brincassem dentro. Assim, só pra ter o prazer de puxá-los sujos. Sentir deles o gesto com açúcar dava uma paz.

DEPOIS DA QUEDA

Aquela mulher, flor de alguma coisa, descobriu que seu homem está na raiz. Não sobe ele ao caule, aos galhos, às folhas, às flores. Mas está pronta a perdoá-lo. Está caindo da árvore, ao sabor do vento que a lançou agora, de encontro à raiz. Quem sabe agora eles se entendam. Depois da queda, a união feliz.

ENQUANTO ENQUANTO

Enquanto Deus e o Diabo jogam as bolas que são o sol e a lua não dão cabo da dúvida dos homens sobre esse jogo e a hora que ele acaba. Do meu bolso cai um papel de alma fina que pretendia usar riscando um poema quando a dor apertasse perto de onde havia um coração , enquanto os dois sorriem e acertam a bola do sol nos meus olhos, que estilhaçam, e xingo de filhos da lua a ambos, que chutaram a bola, enquanto apanho o papel do chão da retina, ainda bom pra um poema.

A MENDIGA DA NAVE DE PLÁSTICO II

De qual paraíso ou planeta ela veio, eu não sei ao fim e ao cabo. Um lugar onde ninguém ousou ir? Não de Atlântida ou de Xanadu. Mas, sei que passeia entre latas-meteoritos. E que não tem emprego , afeto, skate. Conhece toda a cidade quando acorda para esquecer quando se deita. Se alimenta com as pombas. Banha-se com os sapos. E aposta cuspe à distância com ratos e colibris. Já a vi comer das mãos inseguras de uma senhora com bengala e de emaranhadas barbas sombrias. Sim, seria uma boa empacotadora. Cata sacos como ninguém. Se veste de modo independente. Se quer mijar, faz no canto da Igreja Bem na madrugadinha escondidinha. Conseguiu a permissão dos santos. A família Santos dona do terreno não deu permissão mas deu fogo. Ela é uma astronauta urbana. Sacos plásticos compõem barulhentos o recheio de suas cinzentas roupas. Há cheiro de merda e urina e incômodos quando ela anda e desanda e tresanda. Ontem, a encontrei num ônibus. Isolad...

TODOS TODOS O NOME

- Deus é um desespero que começa onde todos os outros acabam, Disse Cioran, bebendo um vinho tinto seco com pães de pensamento. Kerouac o ouvia, fumando um longo silogismo, querendo a estrada. O beco os observava e cuspia, indiferente, por sobre a cabeça de Bukowski. O mendigo Lima Barreto pegou uma lâmpada quebrada e moeu. Cheirou.