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ARTISTAS DEVORADOS

Vai começar o espetáculo! Adamastor, o Gigante, Artística Sindicalidade  Promontória, Que estabelece sindicalmente O profissionalismo com taxas, Regras e etiquetas e cursos, Alinhavou todos os artistas. Adamastor está contente! Vai começar o espetáculo!  Os artistas de ego inflado Por outros egos-flatos, Os artistas ingênuos, Os profissionais amadores, Amadores profissionais,  Todos neutros  Em relação à Luta! Ora, eles precisam armar o varal, lavar a alma na Vara de Deus. Porqu'ele brigou? Por nós. Eu quero é ganhar!  Diz o Eu(tista). Adamastor Sindico devora os artistas que não lhe beijam, Adamastor devora as almas devagar, Adamastor passeia com seus cães Que defecam figurinhas nas consciências, Adamastor vendeu todos os ingressos,  Adamastor se orgulha da Colônia Penal, Premiando a inteligência abstrata Do Artista Profissional Adamastor Amador Com vaga na Academia e no bar  "DAS CINCO". Xanão. "Chegou Payo de Maas A...

PASTELEIRA QUERO UM PASTEL

Quero um pastel, pasteleira, um pastel de camarão. Depois, quero dar beijinhos nas palmas de tuas mãos. Quero um pastel, pasteleira, de carne de boi pego a laço. Depois, quero a saideira num apertadinho abraço. Quero um pastel, pasteleira, regado a catupiry. Depois, quero na soleira um pedacinho de ti.

GRAFITEIRO

O grafiteiro grafita com toda a calma do mundo. O dono do muro grita de cueca e furibundo. O grafiteiro risca o prédio de madrugada. Vê a mocinha dormindo pelo vidro da sacada. O grafiteiro é tão bom que o céu tem seu desenho. Mas Deus não ralha com ele, mantendo a calma no cenho. Às vezes eu até penso que o grafiteiro reside em casa nas grandes alturas e nada debaixo o agride.

VIGILANTE DE MOTO

O vigilante de moto passa no bairro e após some. Quem o olha com cuidado vê surgir um lobisomem. Sua moto é tão possante que a um trovão imita. Não é bom ficar na frente, pois a moto não levita. Uma vez quando encontrei de moto o vigilante até o cumprimentei e ele respondeu radiante. Fiquei pensando: será que é mesmo assombração? Nem barba tem o rapaz, parece mais um bobão! Quando pensei isso, ele fez com a moto piruetas. Asas projetou na lua; eu fugi e fiz caretas.

SENSEI MOSQUITO

Sensei Mosquito Vai pela sala Surfando orelhas Pouco se cala É atrevido Sensei Mosquito Pra ele humanos São pirulitos Suga na veia Lesto e preciso É mestre, creia, Mas sem juízo Uma chinela Balança o rabo Desfere gestos E dá-lhe cabo Sensei Mosquito Vai para o lixo Caixão de luxo Pra inseto e bicho

RELEVANTE CUBATÃO

A minha terra se abraça a rios de relevo interior. A minha terra está presa a conchas de amarelo-ouro. A voz que lhe tange é um cordeiro de sol. Aqui não há moças sem alma de mexerica e ipês roxos. Desde quando nascem, seus risos nos pomares de nossos olhos. Quero estender meu olhar e que achem beija-flores no vento. Que se estampem nuvens retratando ancestrais manuéis. Embora quando esteja triste fique alegre E quando alegre fique triste e vá embora, Há valores doces e cítricos que compensam. E ouço uma música vinda do amor pelos jacatirões. Embora esteja na nove de abril e o barulho seja anti.