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ALUGAR UM NÃO-ESTAR

Sei que há para lá um aqui mas alugar é caro. Um aqui para lá com casinhas de chuva. Há uma ilha em que todos estamos. Uma ilha de não dar pra morar. O preço dos aluguéis um absurdo. Há um não-estarmos quando alugamos. Mas o que há para lá? O outro, onde está? Meu conteúdo aqui é alugar o poema. Enquanto escrevo para o outro sem pedagogia. Soube de uma morte aqui do lado. O outro morreu mordido por um locador. Mentira mas verdade isso. Preciso de uma casa com aluguel baixo. Um poema já consegui sob as axilas. Há signos escorrendo por minhas costelas.

BOLSÓDROMO

Bolsas europeias operam em baixa. Mães européias estouram suas bolsas. E as campanhas de bolsas da DIOR??? Também há as pequenas bolsas da Cracolândia. Beija-Flor cego e sem faro mira os olhos de moça com bolsa a tiracolo.

CLOSE-UP'S

Na fímbria do horizonte, Nuas em eriçados de pérolas, Fazendo mesuras aos deuses Nomeados Close-ups da Mídia Elas estão ali, as musas Em vestidos efêmeros, Espelhos de cristal, Cobrando o preço aos sedentos Fausto observa, no céu-de-si, Depois de se enfastiar Do céu-dos-outros, Banhado na flor da dor Como aquele macaquinho Cuja mãe doía de água e peixes

DESORDEM UNIDA

Não deva! Não morda! Não minta!  Não viva! São vozes desde há muito.  Não! Não deixe de espetar a face das harpias! Deixe arroxearem pés dos que dizem: sentido! Faça...só descanse em desordem unida!

ENVELHECER O POEMA

Envelhecer o poema é como não sentir o sal da letra o açúcar da palavra e ter paciência com os cães sarnentos espedaçando o texto e as pombas sem migalhas nos braços da gramática sempre em carne viva....