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ALMA SACUDIDA NA VIRILHA DE DEUS

Não havia mais tempo. Os ponteiros fugiram. Era necessário fechar. Angela bateu as asas. O deslizamento. O som se arrastou. Sem Bach. Sem A nuvem clássica. No céu os joelhos. Na boca os céus. Sem joelhos na terra, Com terra nos joelhos. O deslizamento. Arrastou-se o som. O monte dançou e gingou, As placas tectônicas. Desnorteando o trovão, As axilas de Gaia. Enquanto o rio apenas rugia, A alma sacudia na virilha de Deus.

O CINEMA RESTAUROU-NOS

Essas pragas são repetidas. Vi no cinema. O cinema restaurou-nos. Surgiram rãs cozidas e bem temperadas. Piolhos em palitinhos numa feira chinesa. A água virou groselha com adição de mercúrio. Feras no espeto direto nos pratos. Pedaços de Esfinge e de Minotauro. Suspensas epidemias, úlceras e granizo. Gafanhotos vieram crocantes. Uma leve escuridão: jantar de velas. Convite aos primogênitos pra contarem piadas... Só tomo água com cloro de fábulas.

FECHOS INCONCLUSOS

Fechos armados, Fachos inertes, Fechos ramados, Fachos atados, Fechos incréus, Fachos estéreis, Fechos abertos, Fachos exatos, Fechas os fachos, Fechas nos fechos Fachadas fixas De idéias feitas, De idéias michas, Inconclusivas

O CAMINHO

Brilhou a estrela Na Boca Divina, Nasceu bebê Fi- Lho  Do Bafo Mofino E celeste do Pai, Que estava na esquina Comendo, sem cor, Vermelhos ovinhos Cozidos no ardor, Com pinga curtida No calor do sol. Previ que a dor Bem trespassaria A alma do Filho, Tão logo crescesse, Embora o Amor Do vô Kaosdionor E da vó Kaosita. Nasceu cá no bairro, Provava as malditas Em copos de barro E olhava as calcinhas Da Musa do Claro. Té que veio a pedra Em sua virilha, Deixando-lhe escuro, Jogada por Poeta Que amava a musa, Sua irmã (incesto) E  fugiu na vida Depois do seu gesto. Rezei a Deus-Tao Que o desviasse Da sede de sangue E gota de poema Tingiu-me as pupilas. Deus-Fi té sangrou, Mas o que deu pista Carruagem o pegou Cortando-lhe os poemas, O caralho e a pinta, Virando Castrat, A Aurora Retinta. Também quem mandou, Quem tem alma "pig" Tem lama e palor. As placas de fogo Da tal carruagem Ninguém anotou, Pois todos dormiam. Ela até parou Pr...

ELE E ELA FORAM BONS

Ele foi um homem bom, mas de que vale ser um homem bom se a vida está pela hora da morte? De que vale ser um homem bom se a morte está muito bela para sujeitar atitudes? Ela foi uma mulher humilde, mas de que vale a humildade se o mar está encapelado há muito? Ele, sempre pronto a revisitar-se a rever-se a procurar respostas a ensaiar soluções, mas de que vale isso se o ato de pensar ficou agreste e o próximo segue o valor de mercado distante de possíveis? Ela tinha o espírito aberto, perseverava quotidianamente no hábito de sair ás cinco horas para a caminhada rente à estrada de ferro, da Igreja Matriz Católica até o final da Vila São José, mas de que adiantava todo esse esforço, se implicava na perda do tempo roubado de fazer um poema mesmo temporão que não poderia nascer em horário diverso? A ele tudo fascinava, quer um pássaro cego, quer uma palavra morta, quer uma música de asas reflexas, quer um cafezinho com amigos poetas, mas de que servia tudo isso, se tudo isso findava na rea...

WOLF HITLER E A AMADA EVA

Tudo começou em uma noite de outubro de 1929,  quando um senhor chamado Wolf Adolf entrou na loja onde Eva (futura Adolf) brincava de  Árvore da Vida mostrando suas costelas  e a amansar pássaros no ar.....  O patrão então mandou Eva ir comprar cervejas e tira-gostos em um lugar à beira do fosso. Ela voltou cantarolando Chopin e saltou aos ombros de Wolf. As costelas ardem no (des)corpo do fuhrer. E descansam suas cabeças, tanto a mulher quanto o lobo, em travesseiros recheados por cabelos de um judeu escolhido a dedo por seus pelos finos e ondulados como de um lobinho.