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O CAMINHO

Brilhou a estrela
Na Boca Divina,
Nasceu bebê Fi-
Lho 
Do Bafo Mofino
E celeste do Pai,
Que estava na esquina
Comendo, sem cor,
Vermelhos ovinhos
Cozidos no ardor,
Com pinga curtida
No calor do sol.
Previ que a dor
Bem trespassaria
A alma do Filho,
Tão logo crescesse,
Embora o Amor
Do vô Kaosdionor
E da vó Kaosita.
Nasceu cá no bairro,
Provava as malditas
Em copos de barro
E olhava as calcinhas
Da Musa do Claro.
Té que veio a pedra
Em sua virilha,
Deixando-lhe escuro,
Jogada por Poeta
Que amava a musa,
Sua irmã (incesto)
E fugiu na vida
Depois do seu gesto.
Rezei a Deus-Tao
Que o desviasse
Da sede de sangue
E gota de poema
Tingiu-me as pupilas.
Deus-Fi té sangrou,
Mas o que deu pista
Carruagem o pegou
Cortando-lhe os poemas,
O caralho e a pinta,
Virando Castrat,
A Aurora Retinta.
Também quem mandou,
Quem tem alma "pig"
Tem lama e palor.
As placas de fogo
Da tal carruagem
Ninguém anotou,
Pois todos dormiam.
Ela até parou
Pra pegar Elias.
Não imaginei 
Que Deus-Tao vingasse.
Só depois eu vi:
Deus-Tao tava ali
Com céu e inferno
Vitais ao Caminho
Bem dentro de Si,
Da Pomba ao Filhinho.

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.