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INFINITOS NUS DI/VERSOS

A nudez de Manoela suas coxas de alabastro tão potentes quanto belas torna poeta ao poetastro A nudez de Aparecida seus peitinhos de pelica tão redondos quão bicudos torna macho ao que trupica A nudez de Raimunda sua bunda infinitude tão cachoeira com mistérios quanto mais rebola ilude A nudez de Guilhermina sua cinturinha plena como um cálice de vinho a nosso medo apequena A nudez de Luciana sua coxinha lisboeta banhada em puro azeite nos livra da má careta Abre Júlia Oliveira suas graças fechadinhas apimentadas nos meios docinhos bem nas pontinhas Descendem das gregas musas, filhas de Mosine e Zeus, vejo-as todas no banho... Deus meu! Deus meu! A nudez dessas mulheres imaginei no universo o tudo florindo o nada útero do multiverso Curtir Mostrar mais reações Comentar Compartilhar Comentários Escreva um comentário...

NO OLHO CANTANTE DA ALMA COM OSSOS

Suspende o instante, leitor relevante, e de olho na frase encante rocinantes, muito embora lentos, tontos, arquejantes, deem medo entre pastos estafantes. Venham ventos, ventres. Que a seu campo encorpem sonhos inclementes, delírios ingentes, idéias heróicas, pesadelos nobres, no olho cantante da alma com ossos. Nua nos poços A mocidade.

ALMAS SOB CALCANHARES

Uma menina recebe um tiro como presente do Talebã como se fosse uma balinha refrescante de hortelã. O Talebã, com seus falos-canhões, fuma charutos-peles de mulheres e rasga, sorridente, o véu que cobre suas almas com seus calcanhares.

CONSTRUÇÃO DE SEMÂNTICAS

Agora, neste instante, Como apagar os traços? Viciado em um verbo que inda engatinha. Vai o verbo excedendo o espaço. A poesia? Nos fatos, os dentes, deformo-a. No claro, os escuros No sangue finjo. Hei de estancar-me sempre, Após chacoalharem meus mares. Busco explorar semânticas Para construir para alguém.

ALMA SACUDIDA NA VIRILHA DE DEUS

Não havia mais tempo. Os ponteiros fugiram. Era necessário fechar. Angela bateu as asas. O deslizamento. O som se arrastou. Sem Bach. Sem A nuvem clássica. No céu os joelhos. Na boca os céus. Sem joelhos na terra, Com terra nos joelhos. O deslizamento. Arrastou-se o som. O monte dançou e gingou, As placas tectônicas. Desnorteando o trovão, As axilas de Gaia. Enquanto o rio apenas rugia, A alma sacudia na virilha de Deus.