Pular para o conteúdo principal

Postagens

GAROTOS, ESCUTAI-ME

Garotos podres o mundo continua podre não há vida nesta merda todos querem foder do lado errado massacrado o pequeno pelo graduado ainda Quero vomitar na barra dos Poderes quero vomitar na falsidade dos seres Papai Noel é um pilantra metido a intelectual e comendo criancinhas o abusador pedófilo piorou Há muito filho-da-puta Garotos Podres o mundo fede pra caralho o palanque ainda existe e é bom pra fazer cocô o Brasil ainda é um barraco de 1,99  todo colorido e fedendo a mijo e merda de cachorro ainda Garotos podres o mundo gira torto cheio de cachaça na cabeça ainda e eu tenho de amar ou apodrecer ou entontecer com pau limpo, claro, senão como eu vou escrever sobre esse mundo  com gonorréia e chato? Ainda temos de gritar ainda temos que matar em nós esse tédio da porra com a consciência de Garotos Podres clamando pelos miseráveis e pelos que vomitam  em paletós e gravatas Vou fazer cocô É menos podre e cheira melhor E só tenho dinheiro suado pra limpar

GRANDE NUDEZ DE ORESTÉIA (PEÇA DO GRUPO FOLIAS DO CARALHO)

Grande folia/dança trágica, cujos pés torcem, retorcem a respiração pausada ante  o olhar do palhaço-fúria-homem-mulher. No telão, riscos de rostos, paredes prontas aos grafites pós-modernos clássicos. O espaço incha, bola inflada com a energia do mistério cênico. Milhões de bodes se vêm, retalhados por línguas incandescentes. A moto possante carrega o ar com elementos rascantes. Não há um rosto, há um rasgar de entranhas, onde paus de politimortos jantam feminilidades de cotelê, onde toda a nudez não será castigada, Se for nudez política e dionisíaca, ponta de punhal nos bem-pensantes. Glória ao diretor Marco-sígnico-cênico, Com seu direito à condenação-ascenção de rolar rochas de Sísifo esmagando crânios diuturnos em seus quadris, antes de servir aos cães cínicos inocentes culpados que somos nós, famintos de devoração dionisíaca nós, devorados minuto a minuto em modo báquico, na esperança de poços de merda e pernas quebradas. Nós, falos eretos murchos quietos vaginas mansas ...

VIDA VIDA INFLAMÁVEL

Vida, Vida, mais te quero. Por querer-te, estou feliz. Por não poder me alongar, Fico triste por um triz. Ter vida além do morrer, Ter viver além do Eu, Esse ansiar me surgiu Quando o Si sobreviveu. Bem eu sei que é impossível Ser Vital até o fim. Quanto tempo dura a Vida Depois que sair de mim? Viver no infindo não posso, O findo vivo é que age. E por mais Vida, alvoroço Motivada e ansiosa imagem. Viver é perto e é longe, Morrer que é triste e incerto, E por não viver bastante, Perderei céus e desertos. Sinto escapar, quero estar, Amando a Vida, afinal, Mas nem sei se o que respiro Revitaliza o meu Mal. Quem há de dar-me presente De valor inestimável, Que deixe a Vida mais longa E este Ser mais inflamável.

CONFRONTO

No retrato, confronto o que envelhec(eu). Somos diversos nos interesses. Ele quis alcançar, eu não consegui. A lua e o sol pareciam tão próximos. Agora vejo: tinha um diamante na alma. Que pensou que eu acharia longe..... Esboroei paredes pelo que estava aqui. Explodi cavernas inutilmente. Ah, se aquela coragem permanecesse! Se aquele diamante se mostrasse! Havia um respeito muito grande pelo amor! E a Amada era a suficiente música da existência, quem quer que Ela fosse. Bastava que ela atravessasse A faixa do existir a partir dos olhos!

SOB SOL DE ÁFRICA

Na África, moscas pintoras tecem obras direto no estômago. Moscas que assim dizem de suas obras:  - Eu sou o máximo! Tudo isso é muito triste. Mas ainda há a febre da vida. E nas mesas ainda há  risadas impagáveis. E adolescentes têm esperanças. Como os leões olhando a caça. E os cachorros latem contentes. E um velhinho de mãos dadas com a alma Sangrando Observa o próprio recomeço. Tudo isso é muito bom! Pois o amor está aos pés da vida E penso em seu rosto sob a luz africana. Penso na criança em sua cabeça. E nos olhos da tribo que a seguiam ! Tudo isso é muito bom! Pois a vida ainda serve ao amor E penso na dádiva de tê-la tecendo Uma arte delicada com flores da selva, E no quanto seus olhos brilham, Um pouco como quando o sol nasce na lua. Tudo isso é muito bom E ela é negra tão negra tão linda Como a noite íntegra.

SEREI RÃ QUE EM MIM PULEI

Por que tenho de sair  se é bem mais agradável  tingir de luz os olhos? Por que vagar por aqui  se nos céus ardo ao sentir? Por que grudar  no que não tem aderências? Quem sabe eu possa me abrir. Quem sabe eu possa assumir todos os nãos (i)morais? Serei rã  que em mim pulei  sem lago algum pra pular?

JOGO

Estou. Estás. Valete. Ás. Esta vida como baralho. A morte joga junto. Essa farsante mora Do outro lado do amor, Numa casinha tosca Vive batendo no batente. Ela, essa de peitos murchos, Tem como empregados pesadelos e paredes cruas, Onde se escrevem cheiros de nada. Mas eu sou estou vou sair da mesa E me lançar para o papel manchado E esburacado de surdez.