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GRANDE NUDEZ DE ORESTÉIA (PEÇA DO GRUPO FOLIAS DO CARALHO)


Grande folia/dança trágica,
cujos pés torcem, retorcem
a respiração pausada ante 

o olhar do palhaço-fúria-homem-mulher.
No telão, riscos de rostos,
paredes prontas aos grafites
pós-modernos clássicos.
O espaço incha,
bola inflada com a energia do mistério cênico.
Milhões de bodes se vêm,
retalhados por línguas incandescentes.
A moto possante carrega o ar
com elementos rascantes.
Não há um rosto, há um rasgar de entranhas,
onde paus de politimortos
jantam feminilidades de cotelê,
onde toda a nudez não será castigada,
Se for nudez política e dionisíaca,
ponta de punhal nos bem-pensantes.
Glória ao diretor Marco-sígnico-cênico,
Com seu direito à condenação-ascenção de rolar rochas de Sísifo
esmagando crânios diuturnos em seus quadris,
antes de servir aos cães cínicos inocentes culpados
que somos nós, famintos de devoração dionisíaca
nós, devorados minuto a minuto em modo báquico,
na esperança de poços de merda
e pernas quebradas.
Nós, falos eretos murchos quietos
vaginas mansas secas molhadas
na platéia boquiaberta
numa quietude com/s(c)em erotismos.

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