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GORILAS FANHOS

Como se o passado Fosse um mudo fanho, O tempo nos segue Limpo após o banho. Foi-se a ditadura Rumo ao beleléu? Não, vive na esquina Com seu rabo em mel. Mil traíras vertem Bigs nas cuecas, Fazem novos ternos Com sangue e melecas. São os bons gorilas De um tempo revel, Fel em fotoshop, Se bobeamos, créu!

VIDA ÁVIDA

Tudo pelo som da cor dos olhos. Eu me doei. Doido. De pedra. Vieste. Doída. De perdas. Eu me dei. Sem volta. Cedo? Em ti dói. A ida. A volta. Não teres te doado Foi poda gratuita ou medo? Eu doendo, doído, um tempo. Dúvida. Tu, doida, endoidecendo. Ávida. Mas de tudo o som, ah, o som salva!

A VIDA ANDA

Feliz, fora, O corpo trinca, E, cacos dentro, A alma vinca. A garganta Atrita Com batatas Fritas. Um poeta é soterrado pelo poema derradeiro. Embora trema A fila bamba, E a morte gema, A vida anda.

MAÇÃS DO AMOR GRUDADAS

As maçãs do amor grudadas. Grudadas, entende? As folhas, pubescentes, abaixo das flores. Não podemos dizer que havia algo mais real. Ao subir na árvore, sentimos o tronco escorregadio. O dia perdia um pouco da inflorescência da aurora súbita. Os frutos eram movimentados pelo vento oeste. O pensamentos pelo vento do inverno e o corpo, de sementes, se espalhava como sempre. Ao sabor da surpresa das coisas. A morte sempre foi um óbice ao eu incompleto. Por mais que subíssemos, jamais chegamos ao topo da árvore, onde galhos imitavam multidões aglomeradas. Por sua grande variedade de espécies, as maçãs do amor jaziam grudadas.  Jamais desgrudaremos?

AOS DELICADOS BATIDOS NAS LÂMPADAS

Quando gritaram,  incandescentes, fomos chamuscados. Tornaram-se nosso espelho enquanto o sangue escorria, antes e depois. Negamos. Quantas lâmpadas nos rostos para iluminarmos nossa falta de sentido? E quando nós mostramos sinais de nossa monstruosidade atávica, garatujas de ódio inconsciente, nos braços por mães sombrias com ramos eretos de um falso pai às mãos, proibidos ficamos de soletrar: ho-mos-se-xu-ais... Herdamos terra para soterrá-los. O denso sangue coalhou a calçada fluindo em fragmentos de lâmpada. E clamamos ao alto nossa justiça. Amanhã, restará a paz fornicando com remorsos. Uma lâmpada acende quando outra se quebra? Quem quer acender comigo? Por vezes, é preciso acender a lanterna. Odiamos o que amamos? Quando aprendi o verbo foder com o verbo gorjear por dentro aprendi a soletrar o rosto justo das coisas.

VOZ DE JUJUBA E BALA

Vem ritmos do chão oculto, como se O cheiro da infância estabelecesse O ar, vinculando, Qual flog londrino, O andar neste chão urbano. Ouço as vozes que me falam do jardim. Vozes que me pedem, que me afugentam De afetos que perderam medidas, De gestos no ar parados. Assassino, Movimento as mãos, apunhalo palavras, Entrelinho então sangue em papéis. E é como se rezassem ao istmo da Infância Naus líquidas com voz de jujuba e bala.