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PEITOS NAS SISTEM/PESTADES

Mercútio, irmão meu, deitado na chuva em cima dos cacos do palco indiviso, teu bafo contamina os bem-nascidos nesta urbe pudica que nos vampiriza. Grande ator, irmão meu, como era bom botar bombas no cu de Satanás, o Status Quo, até irmos ao colo das deusas contaminadas com o vírus do teatro. Teobaldo, irmão meu, como era gostoso pichar as peles das palavras com ousadias, encantos mágicos, a poder de mantras, necessários à nossa escalada no ser do fogo. Hábil ator, lembras de Prometeu? De quando roubamos seu fígado aos urubus que devoraram a águia de Zeus? E a maneira febril com que o comemos? Julieta, irmã minha, hoje Já não há estudo, ninguém quer mais procurar o segredo do aço da espada da alma em flor. Atores e atrizes eternefêmeras, os carros passam a toda velocidade, e tuas almas assumidas pela platéia são puro carpete para convenções agora. In(fame) irmão meu, lembra daquele velho que pintamos de prata, de nome Shakespeare? Digo-te qu'el...

INTEIREZA FENDIDA

Deram-lhe escamas de peixe-poeta aos tantos anos.  Disseram-lhe: vai por aqui. Avançou em mares e rios. Veio a centésima corrente de amor. Foi quando sentiu as garras do fundo. Começou então a história de sua morte pequena.

POR TODA A ETERNIDADE DO AMOR

Tonia Carrero curtiu o status de Vânia Sombrero. Ou curtiu a foto dos Maneros. Sarah Montenegro curtiu a publicação de V no mural de T. E comentou a própria foto: "A tá rsrsrsrsrsrs bjus". Ribeiro Rabelo Rabo adicionou uma nova foto de quando tinha seis anos e cabelo. Fernando Paulo disse, cantando: "não olhe pra trás apenas começamos" e aqui vi um sentimento e uma esperança cobrindo o amor com asas e água de limpidez inaudita.

VALIDADE DE UM AMOR INFINITO

Como eu estar bem Se sou o que vai E que pouco vem E que pouco sai? Como estar bem Sem ter lisa pele Ou sem ver-me os olhos No espelho em febre? Como estar bem Sem saber-me a engano Com dedos em transe Na morte do sonho? Como eu estar bem Depois do escuro Que me presenteei Escrevendo duro? Como eu estar bem Sem ficar ansiando Por ter-me outro dia Na noite inventando? Como eu estar bem? Me diz se há sentido Se o que me valida É o escrever infindo?

AMOR COM GLAUCOMA

Desculpem se não sei amar sem constranger. Se não sei ocultar o esquilo de dentro. Se todos sabem do meu amor com glaucoma. Se quero espalhar pra todos o som das horas azuis. Se meu amor é uma cadela que se solta. Se sou criança que pendura o ato de amar No rabo do gato. Se quem amo está no útero de uma gaiola. Vejo-a dançando com as árvores. A Lua no centro da andorinha anoitece meus olhos. Um pedaço de asteróide lança-me chamas em desafio. Incinerado sou então por ter música distraída. Vidrado sou no modo dela girar o pescoço. Bêbado de galáxias, tropeço em letras invisíveis. Doaria da minha cabeça liso espelho para cometas calvos. Agora, vejo-a dançando no pescoço do tempo Linda como a canção nos lábios do passarinho Cujos olhos morrem enquanto a alma ensolara. Desculpem se o salto que dou faz todos tremerem. Se não sou belo como o som da noite arrotando.

LÍQUIDOS GOZOSOS

No desejo as fendas onde ficam asas a vivificar a púbica casa E em meio aos meios nos vales dos corpos deixar os receios e pensares mortos A língua da amada relambendo a janta a molhar a puta fúria na garganta Ele cutucando o grilo gritando, ambos se enredando na mata matando É como se geram líquidos gozosos: nos mais internos mares cavernosos

GORILAS FANHOS

Como se o passado Fosse um mudo fanho, O tempo nos segue Limpo após o banho. Foi-se a ditadura Rumo ao beleléu? Não, vive na esquina Com seu rabo em mel. Mil traíras vertem Bigs nas cuecas, Fazem novos ternos Com sangue e melecas. São os bons gorilas De um tempo revel, Fel em fotoshop, Se bobeamos, créu!