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PEITOS NAS SISTEM/PESTADES

Mercútio, irmão meu, deitado na chuva
em cima dos cacos do palco indiviso,
teu bafo contamina os bem-nascidos
nesta urbe pudica que nos vampiriza.

Grande ator, irmão meu, como era bom
botar bombas no cu de Satanás,
o Status Quo, até irmos ao colo
das deusas contaminadas com o vírus do teatro.
Teobaldo, irmão meu, como era gostoso
pichar as peles das palavras com ousadias,
encantos mágicos, a poder de mantras,
necessários à nossa escalada no ser do fogo.
Hábil ator, lembras de Prometeu?
De quando roubamos seu fígado aos urubus
que devoraram a águia de Zeus?
E a maneira febril com que o comemos?
Julieta, irmã minha, hoje
Já não há estudo, ninguém quer mais
procurar o segredo do aço
da espada da alma em flor.
Atores e atrizes eternefêmeras,
os carros passam a toda velocidade,
e tuas almas assumidas pela platéia
são puro carpete para convenções agora.
In(fame) irmão meu,
lembra daquele velho
que pintamos de prata,
de nome Shakespeare?
Digo-te qu'ele não morreu.
Voltou às tabuas-grades!
Gritemos merda em latim!
E peitos nas sistem/pestades!

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.