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O EFÊMERO ARRASTANDO FEITO TOALHA

Os lábios no efêmero da vida. Congestionamentos imitam dominós. Uma sopa urbana por apurar o tempero. Eis o dia e sua toalha arrastando. Há o amor no centro de tudo. E só ele cruza a pele na alma. Como a daquela mãe na África esquálida Dando pro seu filho cuspe como papa.

VOCÊ TEM SABE AQUELA COISA

Você tem sabe aquela coisa Não sei se entende se me escuta Aquele charme e jeito sonsos Como filme oblongo e curto Que nada sendo é tudo e pende Que sentir basta soando sons Sensuais de "ends" que represam O amor em preto, cinza, e branco Se soubesse mais Não sei se entende O que sinto é isso: som sem prelo Por amar assim meio sem elo Pois inda não sei e se soubesse Como aquele filme em foscos sons Que sentir bastou soando franco Represando curto grosso e troncho Sabe aquela coisa se me escuta Você tem um cheiro que avulta Abrindo as virilhas das panelas Para aquela coisa em noite hirsuta Que você abre, monta e sela

PEITOS NAS SISTEM/PESTADES

Mercútio, irmão meu, deitado na chuva em cima dos cacos do palco indiviso, teu bafo contamina os bem-nascidos nesta urbe pudica que nos vampiriza. Grande ator, irmão meu, como era bom botar bombas no cu de Satanás, o Status Quo, até irmos ao colo das deusas contaminadas com o vírus do teatro. Teobaldo, irmão meu, como era gostoso pichar as peles das palavras com ousadias, encantos mágicos, a poder de mantras, necessários à nossa escalada no ser do fogo. Hábil ator, lembras de Prometeu? De quando roubamos seu fígado aos urubus que devoraram a águia de Zeus? E a maneira febril com que o comemos? Julieta, irmã minha, hoje Já não há estudo, ninguém quer mais procurar o segredo do aço da espada da alma em flor. Atores e atrizes eternefêmeras, os carros passam a toda velocidade, e tuas almas assumidas pela platéia são puro carpete para convenções agora. In(fame) irmão meu, lembra daquele velho que pintamos de prata, de nome Shakespeare? Digo-te qu'el...

INTEIREZA FENDIDA

Deram-lhe escamas de peixe-poeta aos tantos anos.  Disseram-lhe: vai por aqui. Avançou em mares e rios. Veio a centésima corrente de amor. Foi quando sentiu as garras do fundo. Começou então a história de sua morte pequena.

POR TODA A ETERNIDADE DO AMOR

Tonia Carrero curtiu o status de Vânia Sombrero. Ou curtiu a foto dos Maneros. Sarah Montenegro curtiu a publicação de V no mural de T. E comentou a própria foto: "A tá rsrsrsrsrsrs bjus". Ribeiro Rabelo Rabo adicionou uma nova foto de quando tinha seis anos e cabelo. Fernando Paulo disse, cantando: "não olhe pra trás apenas começamos" e aqui vi um sentimento e uma esperança cobrindo o amor com asas e água de limpidez inaudita.

VALIDADE DE UM AMOR INFINITO

Como eu estar bem Se sou o que vai E que pouco vem E que pouco sai? Como estar bem Sem ter lisa pele Ou sem ver-me os olhos No espelho em febre? Como estar bem Sem saber-me a engano Com dedos em transe Na morte do sonho? Como eu estar bem Depois do escuro Que me presenteei Escrevendo duro? Como eu estar bem Sem ficar ansiando Por ter-me outro dia Na noite inventando? Como eu estar bem? Me diz se há sentido Se o que me valida É o escrever infindo?

AMOR COM GLAUCOMA

Desculpem se não sei amar sem constranger. Se não sei ocultar o esquilo de dentro. Se todos sabem do meu amor com glaucoma. Se quero espalhar pra todos o som das horas azuis. Se meu amor é uma cadela que se solta. Se sou criança que pendura o ato de amar No rabo do gato. Se quem amo está no útero de uma gaiola. Vejo-a dançando com as árvores. A Lua no centro da andorinha anoitece meus olhos. Um pedaço de asteróide lança-me chamas em desafio. Incinerado sou então por ter música distraída. Vidrado sou no modo dela girar o pescoço. Bêbado de galáxias, tropeço em letras invisíveis. Doaria da minha cabeça liso espelho para cometas calvos. Agora, vejo-a dançando no pescoço do tempo Linda como a canção nos lábios do passarinho Cujos olhos morrem enquanto a alma ensolara. Desculpem se o salto que dou faz todos tremerem. Se não sou belo como o som da noite arrotando.